Telenovelas sempre foram uma paixão minha. Tanto que criei esse blog e escolhi o produto como minha pesquisa de mestrado. Noveleira nata, no entanto, estava sofrendo com as últimas obras da nossa televisão que sempre traziam tramas aquém das apresentadas anteriormente. Eis que surge Cordel Encatado. Trama das 18hs da Rede Globo como um bálsamo em minha televisão, devolvendo o prazer de assistir a uma telenovela. Interessante que seja logo uma trama tão diferente daquilo que se configurou como uma telenovela brasileira, afinal temos reis e rainhas de reinos distantes, imagens com qualidade próximas ao cinema e uma mistura de fantasia interessante que nos remete aos antigos folhetins. Mas, para que ninguém diga que não é telenovela, temos, também, ação, comédia, romance e aventura bem dosados em um roteiro inteligente com bom ritmo e diálogos na medida certa que vão nos enovelando a cada dia.
Já no primeiro capítulo somos surpreendidos com a produção. Gravado na Europa em castelos, vemos uma batalha épica com proporções gigantescas. Claro que muito figurante ali deve ter sido colocado por computação gráfica, mas um desavisado que ligasse o canal na hora poderia confundir com um filme ou uma série norte americana, tamanho o cuidado com a direção de arte e o realismo das batalhas. A fotografia, então, é extremamente bem cuidada. sabemos que primeiro capítulo de novela sempre tem um capricho extra, mas Cordel Encantado conseguiu manter o nível durante toda a primeira semana, com sequências impressionantes, cuidados com enquadramento e movimento de câmera. O elenco é outro destaque. Bem introsado com personagens bem construídos e um humor constante. Principalmente por Bertra Loran como a Rainha Mãe, que está dando um show de bom humor. Já entra para o hall de grandes personagens da nossa teledramaturgia.
Temos mocinhos e mocinhas, vilões e personagens dúbios como todo bom folhetim. Apesar da evolução da nossa teledramaturgia com obras mais próximas do nosso cotidiano, a realidade parece que exagerou e nos invadiu de uma forma que ficamos cansados. É um ótimo respiro ver algo mágico que mistura o nordeste do século passado já tão comum ao horário com um reino distante dos contos de fadas. Quem não sonha com um príncipe encantado? E o mais interessante nessa mistura é que temos um quarteto amoroso totalmente indefinido nessa construção mágica. Afinal, nenhum deles é vilão, e os quatro se misturam entre amor, destino e desejo. Jesuíno, Açuncena, Dora e o príncipe Felipe ainda podem se misturar e muito nessa história.
Outra boa sacada da trama é lidar com o cangaço. Parte da nossa história bastante polêmico, onde uns vêem como bandidos cruéis e outros como justiceiros do povo. Através do personagem Herculano temos uma nova visão de honra, onde não faltam referências históricas, nem discussões filosóficas, principalmente dos intelectuais de esquerda. Thelma Guedes e Duca Rachid parece que finalmente acertaram seu texto dosando amor, fantasia, política, discussões sociais de uma forma harmônica. E a direção de Amora Mautner com supervisão de Ricardo Waddington, salta aos olhos como um produto diferenciado na televisão.
Coroando a boa produção, a telenovela tem rendido bons índices no Ibope, aos poucos foi crescendo pontos e já bateu recordes atuais de audiência, superando sua antecessora e chegando a medir a mesma coisa que a telenovela do horário das sete. Se continuar com o boca boca positivo, logo Cordel Encantado se torna fenômeno de audiência. Que bom que podemos contar com uma boa telenovela no ar atualmente.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Amor e Revolução
Estreou ontem a novela novela de Tiago Santiago no SBT. Amor e Revolução se passa na época da ditadura militar e tem o golpe como pano de fundo de um amor proibido. Fica difícil não comparar com Anos Rebeldes, uma das melhores minisséries da Rede Globo já que o período e o mote são parecidos. A diferença básica é que o revolucionário João Alfredo e a alienada Maria Lúcia da minissérie não estavam em lados tão opostos quanto a revolucionária Maria e o militar José Guerra. Ainda assim, o romance foi uma inserção quase discreta no capítulo inicial da telenovela que carregou as tintas no golpe com muitas cenas de correria, tiros, massacres, tortura. É irônico ver a forma como nos foi apresentada a passagem de democracia para ditadura, os personagens agiam como se já soubessem o que vinha pela frente, o que não é totalmente verdade. Tiago Santiago e a direção nos apresentaram os anos de chumbo se esquecendo que estávamos apenas em abril de 1964, a maioria das pessoas não tinha a menor idéia do que estava acontecendo ainda, muitas cenas soaram falsas como se lessem um livro de história.
A direção de atores e os diálogos são os pontos mais problemáticos, mas a intenção parece ser boa. Há um cuidado na direção de arte e reconstituição de época. Citação de fatos reais, como mortes e prisões. Além do depoimento ao final do capítulo, da mesma forma como as telenovelas de Manoel Carlos na emissora concorrente. Isso dá uma forma maior a trama, nos envolvendo no drama que nosso país viveu em vinte anos de tortura. Mesmo que tenha erros, acaba gerando curiosidade. Nisso Tiago Santiago acertou em cheio.
Outro problema do capítulo foi a trilha sonora. Nem vou entrar no mérito de que todas as músicas ali tocadas são ícones da luta contra ditadura e foram criadas anos depois daquelas primeiras cenas. Nem sempre contamos com um Gilberto Braga que teve o cuidado de na trilha de Anos Rebeldes colocar algumas músicas só em instrumental antes de chegar a época em que ela foi criada. Mas, houve um excesso imenso de melodias a cada cena. Parece que toda a trilha sonora da telenovela tocou no primeiro capítulo. Isso, além de ser exagerado acaba tirando a surpresa de algumas canções que poderiam vir mais a frente, gerando um maior impacto.
Ainda é cedo para dizer que Amor e Revolução é uma boa novela e se irá conseguir subir o Ibope do SBT, mas uma coisa pelo menos já podemos admirar. Sua abertura. Mesmo sem os recursos de Hans Donner e os aparelhos da Rede Globo, a idéia criativa é perfeita. Ao som de Roda Vida, música de Chico Buarque de Holanda composta em 1967, vamos acompanhando algumas cenas simbólicas do estado de ditadura. Começa com a cadeira do presidente onde um general aparece e depois vemos cenas cotidianas como uma família ao redor da mesa e o pai sumindo. Depois cenas mais característica como um depoimento, uma sala de tortura, um palco, o meio da rua, a redação de um jornal, a sala de aula.
A escolha do SBT em apresentar o capítulo sem cortes e a abertura no final, como a própria Rede Record já fez tantas vezes, foi bastante feliz. Primeiro porque sem comerciais, não saímos do canal, curiosos com o capítulo. Depois, porque terminar com essa abertura inteligente e a música emocionante de Chico foi a melhor maneira de nos deixar um gancho para o próximo capítulo. Uma promessa de que as coisas podem melhorar. Tomara.
A direção de atores e os diálogos são os pontos mais problemáticos, mas a intenção parece ser boa. Há um cuidado na direção de arte e reconstituição de época. Citação de fatos reais, como mortes e prisões. Além do depoimento ao final do capítulo, da mesma forma como as telenovelas de Manoel Carlos na emissora concorrente. Isso dá uma forma maior a trama, nos envolvendo no drama que nosso país viveu em vinte anos de tortura. Mesmo que tenha erros, acaba gerando curiosidade. Nisso Tiago Santiago acertou em cheio.
Outro problema do capítulo foi a trilha sonora. Nem vou entrar no mérito de que todas as músicas ali tocadas são ícones da luta contra ditadura e foram criadas anos depois daquelas primeiras cenas. Nem sempre contamos com um Gilberto Braga que teve o cuidado de na trilha de Anos Rebeldes colocar algumas músicas só em instrumental antes de chegar a época em que ela foi criada. Mas, houve um excesso imenso de melodias a cada cena. Parece que toda a trilha sonora da telenovela tocou no primeiro capítulo. Isso, além de ser exagerado acaba tirando a surpresa de algumas canções que poderiam vir mais a frente, gerando um maior impacto.
Ainda é cedo para dizer que Amor e Revolução é uma boa novela e se irá conseguir subir o Ibope do SBT, mas uma coisa pelo menos já podemos admirar. Sua abertura. Mesmo sem os recursos de Hans Donner e os aparelhos da Rede Globo, a idéia criativa é perfeita. Ao som de Roda Vida, música de Chico Buarque de Holanda composta em 1967, vamos acompanhando algumas cenas simbólicas do estado de ditadura. Começa com a cadeira do presidente onde um general aparece e depois vemos cenas cotidianas como uma família ao redor da mesa e o pai sumindo. Depois cenas mais característica como um depoimento, uma sala de tortura, um palco, o meio da rua, a redação de um jornal, a sala de aula.
A escolha do SBT em apresentar o capítulo sem cortes e a abertura no final, como a própria Rede Record já fez tantas vezes, foi bastante feliz. Primeiro porque sem comerciais, não saímos do canal, curiosos com o capítulo. Depois, porque terminar com essa abertura inteligente e a música emocionante de Chico foi a melhor maneira de nos deixar um gancho para o próximo capítulo. Uma promessa de que as coisas podem melhorar. Tomara.
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sexta-feira, 18 de março de 2011
Foi mesmo um Tititi
Acabou Tititi e a impressão que fica é que a única coisa que a novela de Maria Adelaide Amaral tem da escrita por Cassiano Gabus Mendes em 1986 é o nome. O estilo farsesco e escrachado dessa nova versão me lembra muito mais a clássica Guerra dos Sexos de Sílvio de Abreu do que a outra trama. Não assisti a novela por inteiro, então, não me atrevo a analisá-la, falo isso pelas poucas coisas que vi e principalmente pelo último capítulo que foi ao ar hoje. O que é aquela banda de Jaqueline por exemplo? A mistura de personagens, as brincadeiras, referências e total falta de senso de ridículo é genial. Drica Moraes estava hilária. Maria Zilda tocando, uma figura. Vera Zimmermann também. O time funcionou perfeitamente e, ao contrário de Sandra Brea na primeira versão, Jakie foi mesmo um arraso, conquistando o público.
Uma coisa que não consigo entender é o sucesso desse novo Jacques Leclair. Nada contra a Alexandre Borges que já fez muitos papéis interessantes, mas essa coisa caricatural, cheia de caras e bocas realmente não me convence. Dá agonia, é bem da verdade. Tão diferente de Reginaldo Farias que era um homem muito mais normal. Já Murilo Benício me surpreendeu. Consegui simpatizar com o Ariclenes dessa versão muito mais do que com o próprio Luis Gustavo. Pena que ele acabou ficando com a Marta nessa versão, ao invés de seu eterno amor Suzana, que na época era vivida por Marieta Severo.
A mistura de tramas como Plumas e Paetês acabou prinvilegiando muito mais a trama dessa segunda novela quando o assunto é melodrama clássico. O triângulo vivido por Marcela, Edgar e Renato monopolizou boa parte das atenções, sendo o grande mistério no final e o gancho do penúltimo capítulo. Não me surpreende tanto, já que apesar de menos lembrada a trama de 1980 era forte e todos gostam de um bom romance. Só para pontuar, na versão original o triângulo era composto por Elizabeth Savalla, Cláudio Marzo e José Wilker. A crescente atenção desse triângulo e a mudança de foco de alguns tipos acabou alterando a coisa que mais gostava na Tititi original e que mais guardava na memória: o amor de Luti e Val.
Valquíria que era interpretada por Malu Mader e Luis Otávio que era interpretado por Cássio Gabus Mendes eram o casal sensação da história. Um romance proibido totalmente envolvente que chegou ao ponto de simular a cena final de Romeu e Julieta era uma das melhores recordações que tinha. Ainda lembro dos dois deitados na sala esperando o veneno fazer efeito com detalhes. Lembro também da cena final dos dois saindo de moto, enquanto deixam os pais discutindo no jardim. Era uma época com mais pureza. Sem querer ser saudosista, essa é a mudança que mais lamento na nova trama, mas, como já disse, tivemos Marcela e Edgar para entreter o público.
Além da mistura de tramas e mudança de tom, uma das coisas que mais chamou a atenção em Tititi foi a constante referência a novelas antigas. Tiveram cenas já antológicas como Jaqueline e Suzana cantando a música tema de Fera Radical, uma das novelas mais marcantes de Malu Mader. Como se não bastasse, Ari ainda entra e pergunta se aquilo é Faísca e Espoleta, a dupla caipira de A Favorita protagonizada por Cláudia Raia. Outro momento engraçado foi vestir Luis Gustavo, que já estava na trama em seu eterno Mário Fofoca, como Victor Valentim para acalmar a titia. Foram muitas as referências, brincadeiras e misturas.
E no último capítulo Fábio Assunção aparece como Fernando Flores, um ator que vai fazer o remake de Fera Radical e ser um possível pretendente de Suzana. Há tanta mistura só nesses minutinhos que fica engraçado destrinchar. Como já disse, Fera Radical foi protagonizada por Malu Mader. Sua personagem Cláudia era par romântico de José Mayer, que se chamava Fernando Flores. Fora isso, Fábio Assunção é um dos pares românticos mais famosos de Malu, já tendo trabalhado juntos várias vezes, sendo o mais marcante Ester e Inácio de Força de um desejo. A cena foi ótima, tomara que Fábio retorne logo as telas. Destaque ainda para aparição de Marília Pêra como a sua inesquecível personagem Rafaela de Brega e Chique. Foi ótimo vê-la citar o falecido marido Herbert, vivido pelo saudoso Raul Cortez, detalhe que Herbert no início da novela era Jorge Dória, mas ele finge a morte e faz uma cirurgia plástica. Bom, esse absurdo a gente deixa para outro texto.

Outro grande destaque dessa versão ficou por conta da computação gráfica. Se em 1986, a abertura da novela marcou por ser a primeira a utilizar esses recursos, nessa versão, toda a trama abusou de efeitos, principalmente de passagem. Era papel picotado, tesoura passando, ziper fechando, papel amassando. Cada detalhe dava um brilho diferente. Com todo esse visual inovador e tom mais jovial, a novela ganhou espaço também na internet com várias ações paralelas. Tinha blog, site, ações, twitter, um verdadeiro universo estabelecido no mundo real como apoio à trama. O cuidado era tanto que o site de Victor Valentim não tinha uma única foto do personagem, já que isso acabaria com o disfarce de Ariclenes.O rosto só apareceu quando, na novela, a imprensa desmascarou o farsante.
Mesmo não tendo acompanhado a novela inteira, acredito que o saldo da trama foi positivo, tanto que a Globo agora entrou na onda de Hollywood de desencavar clássicos antigos com nova versão. Primeiro anunciou um temeroso remake de Guerra dos Sexos, coisa que eu realmente odiaria. Guerra dos Sexos é minha segunda novela favorita de todos os tempos, mexer nela para mim é quase pecado. Como recompor aquele elenco? Aquele momento? Agora, que a idéia voltou a hibernar, com a declaração de que o tema é parecido com algo que eles vão colocar no ar em breve, surge a notícia de que Cambalacho será a próxima vítima. Os fãs da novela vão ter que esquecer um pouco e acompanhar a novela como algo novo, mais ou menos como foi Tititi. Que Tina Pepper nos ajude.
Uma coisa que não consigo entender é o sucesso desse novo Jacques Leclair. Nada contra a Alexandre Borges que já fez muitos papéis interessantes, mas essa coisa caricatural, cheia de caras e bocas realmente não me convence. Dá agonia, é bem da verdade. Tão diferente de Reginaldo Farias que era um homem muito mais normal. Já Murilo Benício me surpreendeu. Consegui simpatizar com o Ariclenes dessa versão muito mais do que com o próprio Luis Gustavo. Pena que ele acabou ficando com a Marta nessa versão, ao invés de seu eterno amor Suzana, que na época era vivida por Marieta Severo.
A mistura de tramas como Plumas e Paetês acabou prinvilegiando muito mais a trama dessa segunda novela quando o assunto é melodrama clássico. O triângulo vivido por Marcela, Edgar e Renato monopolizou boa parte das atenções, sendo o grande mistério no final e o gancho do penúltimo capítulo. Não me surpreende tanto, já que apesar de menos lembrada a trama de 1980 era forte e todos gostam de um bom romance. Só para pontuar, na versão original o triângulo era composto por Elizabeth Savalla, Cláudio Marzo e José Wilker. A crescente atenção desse triângulo e a mudança de foco de alguns tipos acabou alterando a coisa que mais gostava na Tititi original e que mais guardava na memória: o amor de Luti e Val.
Valquíria que era interpretada por Malu Mader e Luis Otávio que era interpretado por Cássio Gabus Mendes eram o casal sensação da história. Um romance proibido totalmente envolvente que chegou ao ponto de simular a cena final de Romeu e Julieta era uma das melhores recordações que tinha. Ainda lembro dos dois deitados na sala esperando o veneno fazer efeito com detalhes. Lembro também da cena final dos dois saindo de moto, enquanto deixam os pais discutindo no jardim. Era uma época com mais pureza. Sem querer ser saudosista, essa é a mudança que mais lamento na nova trama, mas, como já disse, tivemos Marcela e Edgar para entreter o público.
Além da mistura de tramas e mudança de tom, uma das coisas que mais chamou a atenção em Tititi foi a constante referência a novelas antigas. Tiveram cenas já antológicas como Jaqueline e Suzana cantando a música tema de Fera Radical, uma das novelas mais marcantes de Malu Mader. Como se não bastasse, Ari ainda entra e pergunta se aquilo é Faísca e Espoleta, a dupla caipira de A Favorita protagonizada por Cláudia Raia. Outro momento engraçado foi vestir Luis Gustavo, que já estava na trama em seu eterno Mário Fofoca, como Victor Valentim para acalmar a titia. Foram muitas as referências, brincadeiras e misturas.
E no último capítulo Fábio Assunção aparece como Fernando Flores, um ator que vai fazer o remake de Fera Radical e ser um possível pretendente de Suzana. Há tanta mistura só nesses minutinhos que fica engraçado destrinchar. Como já disse, Fera Radical foi protagonizada por Malu Mader. Sua personagem Cláudia era par romântico de José Mayer, que se chamava Fernando Flores. Fora isso, Fábio Assunção é um dos pares românticos mais famosos de Malu, já tendo trabalhado juntos várias vezes, sendo o mais marcante Ester e Inácio de Força de um desejo. A cena foi ótima, tomara que Fábio retorne logo as telas. Destaque ainda para aparição de Marília Pêra como a sua inesquecível personagem Rafaela de Brega e Chique. Foi ótimo vê-la citar o falecido marido Herbert, vivido pelo saudoso Raul Cortez, detalhe que Herbert no início da novela era Jorge Dória, mas ele finge a morte e faz uma cirurgia plástica. Bom, esse absurdo a gente deixa para outro texto.

Outro grande destaque dessa versão ficou por conta da computação gráfica. Se em 1986, a abertura da novela marcou por ser a primeira a utilizar esses recursos, nessa versão, toda a trama abusou de efeitos, principalmente de passagem. Era papel picotado, tesoura passando, ziper fechando, papel amassando. Cada detalhe dava um brilho diferente. Com todo esse visual inovador e tom mais jovial, a novela ganhou espaço também na internet com várias ações paralelas. Tinha blog, site, ações, twitter, um verdadeiro universo estabelecido no mundo real como apoio à trama. O cuidado era tanto que o site de Victor Valentim não tinha uma única foto do personagem, já que isso acabaria com o disfarce de Ariclenes.O rosto só apareceu quando, na novela, a imprensa desmascarou o farsante.
Mesmo não tendo acompanhado a novela inteira, acredito que o saldo da trama foi positivo, tanto que a Globo agora entrou na onda de Hollywood de desencavar clássicos antigos com nova versão. Primeiro anunciou um temeroso remake de Guerra dos Sexos, coisa que eu realmente odiaria. Guerra dos Sexos é minha segunda novela favorita de todos os tempos, mexer nela para mim é quase pecado. Como recompor aquele elenco? Aquele momento? Agora, que a idéia voltou a hibernar, com a declaração de que o tema é parecido com algo que eles vão colocar no ar em breve, surge a notícia de que Cambalacho será a próxima vítima. Os fãs da novela vão ter que esquecer um pouco e acompanhar a novela como algo novo, mais ou menos como foi Tititi. Que Tina Pepper nos ajude.
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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Promessa de início de ano e A Cura
O Entre Breaks está meio abandonado, admito. Tenho me dedicado muito mais ao CinePipocaCult e pouco tenho escrito por aqui. A verdade é que a televisão brasileira esse ano não me empolgou muito. Por opção editorial, preferi não falar de séries americanas aqui, outra paixão recente minha, então, ficou meio sem assunto. 2011 promete ser um pouco melhor. Logo estreia a nova novela de Gilberto Braga, autor que escolhi para estudo de mestrado e volta O Clone no Vale a Pena Ver de Novo. Vale Tudo continua também firme na reprise do canal Viva. Tentarei postar algo por aqui, pelo menos uma vez por mês. Para não ficar só na promessa, resgato a melhor coisa que vi na televisão brasileira em 2010, a série A Cura, da Rede Globo.
A Cura começou em 10 de agosto de 2010, com episódios seriados sempre às terças-feiras. Escrita por João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein, direção de Ricardo Waddington e Gustavo Fernandez e fotografia de Ricardo Gaglianone contava duas histórias paralelas em tempos distintos. No século XVIII, o garimpeiro Silvério, um homem sem escrúpulos que mata o amigo ao encontrarem um diamante e começa seu império maltratando escravos, enganando a coroa portuguesa e subjugando quem se aproxima. Nos tempos atuais, Dimas retorna a cidade natal onde é considerado um assassino. Quando criança ele foi encontrado retalhando um colega que havia caído de uma árvore. Sua família é descendente de Silvério que é visto como um benfeitor local e esta parece, a princípio, a única ligação dos dois tempos. Acontece que a cidade guarda outro mistério: o médico Otto, visto como curandeiro por uns e assassino por outros, tem na voz de Edelweiss sua maior defensora. Ela é quem diz a Dimas que ele veio para terminar o trabalho de seu antecessor, pois tem o mesmo dom de cura.
A série começou com essa trama de mistério base: Dimas tem um dom da cura ou é um esquizofrênico perigoso? E Otto? E qual a ligação de ambos com a história do século XVIII? Não é a primeira vez que João Emanuel Carneiro e Ricardo Waddington têm, na identidade do seu protagonista, o suspense que sustenta uma história. A telenovela A Favorita baseava-se na dúbia personalidade de Flora e Donatela, uma das duas estava mentindo e o público só descobriu isso no capítulo trinta. Em A Cura, eles foram além, pois várias eram as possibilidades. Apenas no penúltimo episódio as pistas levaram a uma dedução que se confirmou no último episódio da temporada. Agora o público sabe quem é Dimas, quem é Otto, quem foi Silvério e quem foi o menino Ezequiel que apareceu na trama do século XVIII no final do terceiro episódio. Resta saber o que nos reserva a segunda temporada. Pois, se os mistérios terminaram, o suspense da primeira temporada muda de foco, veremos uma caçada ao monstro e não mais uma rede a ser desvendada.
É de se admirar o que a equipe fez nesses nove episódios. O roteiro bem amarrado nos deixava em suspense constante. A direção e a fotografia colaboravam com a construção dos efeitos característicos. A câmera subjetiva, as penumbras, a trilha. A Cura é, sem dúvidas, uma série para marcar a história da teledramaturgia da Rede Globo. O elenco também estava afinado. Selton Mello e Juca de Oliveira criaram um embate interessante, sendo muito mais complicado de compreender que um deles era um assassino a princípio. Andreia Horta chega à emissora após o sucesso como Alice da HBO e consegue dar conta de sua Rosângela. Mesmo o preferido do autor, Carmo Dalla Vecchia, consegue trazer alguma verdade ao seu monstruoso Silvério, apesar dos trejeitos exagerados. Ary Fontoura é outro destaque como o médico cético Turíbio. E Eunice Braulio rouba a cena como a bisbilhoteira Nonoca. Ela é o ponto de apoio do telespectador, dando voz aos comentários da cidade e detalhando alguns mistérios passados. Além de ser o alívio cômico ao viver no telefone sem vender um único objeto de sua loja aos turistas.
No geral, A Cura surpreende em todos os aspectos. Por ser um projeto de história totalmente seriada, não apenas com episódios dependentes, mas com temporadas que não se encerram. Ao contrário de Som&Fúria que tem um final ao término da temporada, apesar da possibilidade de continuação. Ou de outras séries que a Globo vem testando como Força Tarefa, onde cada episódio se encerra em si, apesar do arco dramático dos personagens ter uma evolução durante a temporada. Com um bom aparato técnico de roteiro, direção, fotografia, som e elenco, além de uma força nos ganchos, A Cura deixa a expectativa para sua continuação. Torçamos para que não demore muito e que mantenha o nível da primeira.
A Cura começou em 10 de agosto de 2010, com episódios seriados sempre às terças-feiras. Escrita por João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein, direção de Ricardo Waddington e Gustavo Fernandez e fotografia de Ricardo Gaglianone contava duas histórias paralelas em tempos distintos. No século XVIII, o garimpeiro Silvério, um homem sem escrúpulos que mata o amigo ao encontrarem um diamante e começa seu império maltratando escravos, enganando a coroa portuguesa e subjugando quem se aproxima. Nos tempos atuais, Dimas retorna a cidade natal onde é considerado um assassino. Quando criança ele foi encontrado retalhando um colega que havia caído de uma árvore. Sua família é descendente de Silvério que é visto como um benfeitor local e esta parece, a princípio, a única ligação dos dois tempos. Acontece que a cidade guarda outro mistério: o médico Otto, visto como curandeiro por uns e assassino por outros, tem na voz de Edelweiss sua maior defensora. Ela é quem diz a Dimas que ele veio para terminar o trabalho de seu antecessor, pois tem o mesmo dom de cura.
A série começou com essa trama de mistério base: Dimas tem um dom da cura ou é um esquizofrênico perigoso? E Otto? E qual a ligação de ambos com a história do século XVIII? Não é a primeira vez que João Emanuel Carneiro e Ricardo Waddington têm, na identidade do seu protagonista, o suspense que sustenta uma história. A telenovela A Favorita baseava-se na dúbia personalidade de Flora e Donatela, uma das duas estava mentindo e o público só descobriu isso no capítulo trinta. Em A Cura, eles foram além, pois várias eram as possibilidades. Apenas no penúltimo episódio as pistas levaram a uma dedução que se confirmou no último episódio da temporada. Agora o público sabe quem é Dimas, quem é Otto, quem foi Silvério e quem foi o menino Ezequiel que apareceu na trama do século XVIII no final do terceiro episódio. Resta saber o que nos reserva a segunda temporada. Pois, se os mistérios terminaram, o suspense da primeira temporada muda de foco, veremos uma caçada ao monstro e não mais uma rede a ser desvendada.
É de se admirar o que a equipe fez nesses nove episódios. O roteiro bem amarrado nos deixava em suspense constante. A direção e a fotografia colaboravam com a construção dos efeitos característicos. A câmera subjetiva, as penumbras, a trilha. A Cura é, sem dúvidas, uma série para marcar a história da teledramaturgia da Rede Globo. O elenco também estava afinado. Selton Mello e Juca de Oliveira criaram um embate interessante, sendo muito mais complicado de compreender que um deles era um assassino a princípio. Andreia Horta chega à emissora após o sucesso como Alice da HBO e consegue dar conta de sua Rosângela. Mesmo o preferido do autor, Carmo Dalla Vecchia, consegue trazer alguma verdade ao seu monstruoso Silvério, apesar dos trejeitos exagerados. Ary Fontoura é outro destaque como o médico cético Turíbio. E Eunice Braulio rouba a cena como a bisbilhoteira Nonoca. Ela é o ponto de apoio do telespectador, dando voz aos comentários da cidade e detalhando alguns mistérios passados. Além de ser o alívio cômico ao viver no telefone sem vender um único objeto de sua loja aos turistas.
No geral, A Cura surpreende em todos os aspectos. Por ser um projeto de história totalmente seriada, não apenas com episódios dependentes, mas com temporadas que não se encerram. Ao contrário de Som&Fúria que tem um final ao término da temporada, apesar da possibilidade de continuação. Ou de outras séries que a Globo vem testando como Força Tarefa, onde cada episódio se encerra em si, apesar do arco dramático dos personagens ter uma evolução durante a temporada. Com um bom aparato técnico de roteiro, direção, fotografia, som e elenco, além de uma força nos ganchos, A Cura deixa a expectativa para sua continuação. Torçamos para que não demore muito e que mantenha o nível da primeira.
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
O segredo de Gerson
Segunda-feira, Passione exibiu o capítulo em que Gérson, personagem de Marcello Antony, revela o seu segredo. Depois de muitos boatos, expeculações e até brincadeiras com candidatos a eleição, a revelação foi morna, previsível. Estava claro que era ligado a sexo e a traumas do personagem que já tinha confessado ter sofrido abusos na infância. A pedofilia, levantada desde o início não se concretizou, não sabemos até que ponto foi censura ou escolha de Sílvio de Abreu. O fato é que ao ouvir Gérson contar a seu terapeuta que via imagens de "sexo sujo", e aí vai da imaginação fértil de cada telespectador imaginar quão sujo são essas imagens, não teve tanto impacto. No final era apenas um mistério previsível que acaba não afetando totalmente a narrativa. Não que isso seja legal, correto e tal. Mas, é um problema psicológico do personagem que não afeta o mundo, ele não abusa de crianças, não faz sexo forçado com ninguém, não tem prazer em ver pessoas sendo torturadas e mortas como os filmes snurfs que foi outra suposição da mídia. Ou seja, ele não vai ser preso por isso, nem responder a processo. O sexo é o assunto mais procurado na internet e, como Gerson, existem milhares de pessoas doentes inofensivas para sociedade. A novela perdeu uma oportunidade de discutir assuntos muito mais polêmicos e perigosos. Depois de tantos meses de mistério, era o que o telespectador esperava, vide a reação de famosos.
Agora é mais do que compreensível a reação de Diana. Afinal, quem gostaria de descobrir que seu marido vê fotos de sexo escatológico ou algo parecido? Ainda mais se esse marido não consegue ter relações sexuais com você. A história é perfeitamente lógica e cabível, pode acontecer com qualquer um. Esse é um ponto posivito, só não entende-se exatamente a aversão a ter filhos que o personagem demonstrava. Talvez a vergonha e nojo de si mesmo o tornava, em sua cabeça, indigno de criar uma criança.
De qualquer maneira, a história nos faz perguntar onde está aquele Sílvio de Abreu que nos brindou com tantos mistérios surpreendentes como o já lendário Mistério do Bigode Preto na telenovela Guerra dos Sexos. Ou então, o competente escritor policial que nos deixava de cabelo em pé com os mistérios de A Próxima Vítima. Está bem que ele colocou a óbvia Sandrinha para explodir o Shopping em Torre de Babel, mas mesmo sua revelação acabou sendo surpreendente pela forma. Teve ainda a revelação de quem matou Bia Falcão, que na verdade não tinha morrido.
Passione tem seus adeptos, mas a telenovela não tem mais o impacto de outros sucessos do horário nobre. A concorrência, a repetição dos temas, a forma como os mistérios são tratados pela mídia. Tudo tira o brilho de outrora, tornando cada capítulo um produto realmente descartável. Uma pena. Com opções assim na televisão atualmente, prefiro rever Vale Tudo, meia noite, e lembrar com saudades dos tempos que não voltam mais.
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010
A volta de Lídia Brondi
Mal Vale Tudo re-estreou no Canal Viva e já começam os burburinhos em torno do nome de Lídia Brondi. A novela é líder de audiência no canal a cabo e a repercussão na internet está grande. Por diversas vezes, Vale Tudo foi trend topics do twitter, e foi assim que #brondi apareceu na lista. Mesmo tendo abandonado a carreira de atriz em 1991, após a participar da novela Meu Bem, Meu Mal, a atriz continua inspirando uma legião de fãs, existem várias comunidades no orkut com seu nome e até um blog muito bom, quem quiser conhecer mais veja o link. Era de se esperar, então, que a reexibição de uma de suas personagens mais marcantes virasse notícia.
Solange Drupat é uma jornalista inteligente, independente e bastante ativa. O símbolo da mulher moderna. Até quando resolve ter um filho de forma independente. É uma espécie de amiga de todos e uma voz do público contra Maria de Fátima e Odete Roitman. É com ela que muita coisa é descoberta. Apesar de não ser a protagonista de Vale Tudo, Solange é a personagem preferida de muitos, tendo um papel fundamental na trama. Aqui dois momentos marcantes da personagem:
Vale Tudo é especial para atriz também porque foi nela que conheceu e começou o namoro com Cássio Cabus Mendes, com quem é casada ainda hoje. O casal apesar de separado a maior parte da novela, era símbolo, tanto que foi escolhido para capa da trilha internacional da novela. Os dois ainda atuaram juntos nas duas novelas seguintes, últimas da atriz. Em Tieta, não formavam um casal, mas pertenciam ao mesmo núcleo. Em Meu Bem, Meu Mal, começam a trama brigando, mas logo se entendem. Uma das últimas aparições da atriz foi ao lado do marido no camarote da Brahma no carnaval.
Na época a imprensa falou em Síndrome de Pânico. Durante muitos anos, essa foi a única informação dada. É possível que ela tenha passado por isso, mas hoje nega. Diz apenas que cansou da profissão, não aguentou o clima de competição característico do meio. A atriz hoje é psicóloga, fez faculdade após a desistência da carreira, e diz não ter a menor intenção de voltar a atuar. Ainda assim, o SBT anunciou o interesse na atriz e segundo a coluna de Patrícia Kogut, ela ainda não deu resposta. Acho muito difícil ela seja positiva.
Para os fãs saudosos, o melhor mesmo é sintonizar ao meio dia ou na madrugada para conferir a bela Solange ao lado de seu amigo Sardinha enfrentando Maria de Fátima, Odete Roitman, o besta do Afonso ou mala do Mário Sérgio (que ainda não apareceu na reprise).
Solange Drupat é uma jornalista inteligente, independente e bastante ativa. O símbolo da mulher moderna. Até quando resolve ter um filho de forma independente. É uma espécie de amiga de todos e uma voz do público contra Maria de Fátima e Odete Roitman. É com ela que muita coisa é descoberta. Apesar de não ser a protagonista de Vale Tudo, Solange é a personagem preferida de muitos, tendo um papel fundamental na trama. Aqui dois momentos marcantes da personagem:
Vale Tudo é especial para atriz também porque foi nela que conheceu e começou o namoro com Cássio Cabus Mendes, com quem é casada ainda hoje. O casal apesar de separado a maior parte da novela, era símbolo, tanto que foi escolhido para capa da trilha internacional da novela. Os dois ainda atuaram juntos nas duas novelas seguintes, últimas da atriz. Em Tieta, não formavam um casal, mas pertenciam ao mesmo núcleo. Em Meu Bem, Meu Mal, começam a trama brigando, mas logo se entendem. Uma das últimas aparições da atriz foi ao lado do marido no camarote da Brahma no carnaval.
Na época a imprensa falou em Síndrome de Pânico. Durante muitos anos, essa foi a única informação dada. É possível que ela tenha passado por isso, mas hoje nega. Diz apenas que cansou da profissão, não aguentou o clima de competição característico do meio. A atriz hoje é psicóloga, fez faculdade após a desistência da carreira, e diz não ter a menor intenção de voltar a atuar. Ainda assim, o SBT anunciou o interesse na atriz e segundo a coluna de Patrícia Kogut, ela ainda não deu resposta. Acho muito difícil ela seja positiva.
Para os fãs saudosos, o melhor mesmo é sintonizar ao meio dia ou na madrugada para conferir a bela Solange ao lado de seu amigo Sardinha enfrentando Maria de Fátima, Odete Roitman, o besta do Afonso ou mala do Mário Sérgio (que ainda não apareceu na reprise).
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Amanda Aouad
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Quem morreu ou quem matou?
Sílvio de Abreu até brincou com um quase suspense de "Quem morreu?" em sua trama de Passione, mas o mistério, além de não ter surtido tanto efeito, acabou voltando-se para a velha pergunta conhecida: Quem matou Saulo? Sinceramente, cansou. Depois de tantos mistérios e mortes em novelas que sempre acabam de forma pouco criativa no último capítulo, a fórmula parece desgastada. A exceção é mesmo Força de um Desejo, telenovela de 1999, onde a revelação do assassino do barão Henrique Sobral não apenas surpreendeu, como foi totalmente coerente. Ainda assim, o objetivo parece ter sido atingido. Passione segue com bons índices de audiência e o capítulo de segunda-feira bateu recordes. Agora o Brasil tem que esperar até o início de 2011 para saber quem matou Saulo, em uma telenovela já cheia de mistérios como o segredo de Gerson ou a paternidade de Fátima.
Após tantos boatos de quem morreria, Sílvio de Abreu quis surpreender imprensa e telespectadores gravando cinco mortes e deixando o mistério no capítulo de sábado para ser resolvido na segunda-feira. A intenção foi interessante, mas a resolução acabou esbarrando nos efeitos já conhecidos desse tipo de mistério em televisão. No capítulo de sábado, diversos personagens brigaram com Saulo. Muitos ameaçaram verbalmente dizendo que o mataria. Outros foram ameaçados pelo mesmo que os tinha em suas mãos e poderia prejudicá-los. Ou seja, todas as cenas apontavam para uma única vítima. Então, quando Mauro atende o telefone e ainda se atrapalha dizendo "ela morreu" e logo depois "ele morreu", ficou forçado. Todo mundo apostava suas fichas em Saulo.
No capítulo de segunda-feira, o suspense conseguiu se manter de forma interessante até o final do primeiro bloco, quando Maitê Proença e Kaiky Britto vêem a cena no motel. Um telespectador que não viu o capítulo de sábado, ficaria com dúvidas de quem seria o defunto. Seria interessante se ele conseguissem manter até um pouco mais o mistério. Mas, tudo foi revelado e vários personagens chegaram em casa mentindo onde estiveram e com ares suspeitos. Esse clima de todos podem ter culpa acaba atrapalhando a verossimilhança da trama e deixando a resolução do "Quem matou?" quase esdrúxula. É a tentativa de enganar imprensa e público.
Foi assim que a famosa Odete Roitman acabou sendo assassinada por engano pela pacata Leila em Vale Tudo. Assim também que assassinos óbvios como Laura em Celebridade ou Olavo em Paraíso Tropical foram revelados. Sílvio de Abreu, no entanto, parece lidar melhor com o mistério, vide A Próxima Vitma. Suas telenovelas sempre tem algo a ser revelado, mesmo em comédias pastelões como Guerra do Sexo, onde todos queriam saber o mistério do bigode preto. Fica, então, a expectativa para que os mistérios da trama sejam surpreendentes e coerentes como Gilberto Braga conseguiu fazer em Força de um Desejo, já que ninguém poderia imaginar Bárbara como assassina, mas a explicação fez todo o sentido, fluindo bem na trama. Eu já tenho meu suspeito ideal para morte de Saulo. E você?
Após tantos boatos de quem morreria, Sílvio de Abreu quis surpreender imprensa e telespectadores gravando cinco mortes e deixando o mistério no capítulo de sábado para ser resolvido na segunda-feira. A intenção foi interessante, mas a resolução acabou esbarrando nos efeitos já conhecidos desse tipo de mistério em televisão. No capítulo de sábado, diversos personagens brigaram com Saulo. Muitos ameaçaram verbalmente dizendo que o mataria. Outros foram ameaçados pelo mesmo que os tinha em suas mãos e poderia prejudicá-los. Ou seja, todas as cenas apontavam para uma única vítima. Então, quando Mauro atende o telefone e ainda se atrapalha dizendo "ela morreu" e logo depois "ele morreu", ficou forçado. Todo mundo apostava suas fichas em Saulo.
No capítulo de segunda-feira, o suspense conseguiu se manter de forma interessante até o final do primeiro bloco, quando Maitê Proença e Kaiky Britto vêem a cena no motel. Um telespectador que não viu o capítulo de sábado, ficaria com dúvidas de quem seria o defunto. Seria interessante se ele conseguissem manter até um pouco mais o mistério. Mas, tudo foi revelado e vários personagens chegaram em casa mentindo onde estiveram e com ares suspeitos. Esse clima de todos podem ter culpa acaba atrapalhando a verossimilhança da trama e deixando a resolução do "Quem matou?" quase esdrúxula. É a tentativa de enganar imprensa e público.
Foi assim que a famosa Odete Roitman acabou sendo assassinada por engano pela pacata Leila em Vale Tudo. Assim também que assassinos óbvios como Laura em Celebridade ou Olavo em Paraíso Tropical foram revelados. Sílvio de Abreu, no entanto, parece lidar melhor com o mistério, vide A Próxima Vitma. Suas telenovelas sempre tem algo a ser revelado, mesmo em comédias pastelões como Guerra do Sexo, onde todos queriam saber o mistério do bigode preto. Fica, então, a expectativa para que os mistérios da trama sejam surpreendentes e coerentes como Gilberto Braga conseguiu fazer em Força de um Desejo, já que ninguém poderia imaginar Bárbara como assassina, mas a explicação fez todo o sentido, fluindo bem na trama. Eu já tenho meu suspeito ideal para morte de Saulo. E você?
Postado por
Amanda Aouad
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