Engraçado como a vida é. Hoje, dia 6 de junho, faz 27 anos que estreou a telenovela Guerra dos Sexos, uma trama farsesca que marcou a teledramaturgia brasileira e que não me canso de falar aqui. Apesar de um elenco com nomes grandiosos como Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Tarcísio Meira e Glória Menezes, e de a única cena recordada na televisão ao falar dessa trama ser a famosa guerra de comida no café da manhã, havia muito mais naquela trama. E entre esse muito mais havia Nando. O motorista da família Pereira Barreto, o romântico ingênuo apaixonado por sua Juliana (Maitê Proença), que conquistou o coração de todo o país e terminou com a personagem de Glória Menezes, o que frustou alguns fãs.
Quem o interpretava: Mário Gomes, um galã em ascensão que apontava para uma carreira brilhante. Três anos depois, ele era o protagonista da novela seguinte do horário: o jogador de futebol Luca de Vereda Tropical. Aí veio Betty Faria, a paixão dos dois e o declínio de sua história. Na época, a atriz era mulher de Daniel Filho, que não engoliu a traição. Aliado a Carlos Imperial que teve um desentendimento com o ator por causa do cartaz de um filme, o boato ganhou corpo. Ele teria sido visto dando entrada em um hospital após um incidente com uma cenoura... Até uma enfermeira apareceu para testemunhar. Pessoas jogavam cenouras nas ruas em cima do ator. Um horror.
Nunca mais ele conseguiu um grande papel e chegou a cair no ostracismo. É verdade que Perigosas Peruas e Sexo dos Anjos lhe deram uma luz do que ele poderia ter sido, mas a maioria foi de papéis pequenos, quase não lembrados. O estranho é que, só agora, Mário Gomes vá entrar com um processo contra a Rede Globo e Daniel Filho, na época grande executivo da emissora. Realmente não entendo por que demorou tanto e por que resolveu desenterrar essa história agora. Vemos na internet que o boato ainda tem pequena força. Muitos ainda têm dúvidas, muitos ainda juram que foi verdade. Talvez por isso, ele queira deixar as coisas claras. O pedido de indenização é de 45 milhões por danos morais. Acho que dinheiro nenhum paga a nossa paz, mas quem vai desembolsar essa quantia?
O ator, provavelmente insatisfeito com os papéis de migalhas que lhe são dados, como o último em A Favorita onde era o assessor de Romildo Rosa, deve estar querendo algo mais. É fato, no entanto, que a beleza máscula que impressionava há trinta anos se perdeu e o talento do ator pode ter enferrujado. No lugar dele, eu não abriria esse processo agora. Não há como voltar atrás. Mas, quem sabe se faz justiça à memória de um homem.
domingo, 6 de junho de 2010
quarta-feira, 2 de junho de 2010
E se Lost fosse uma novela da Globo?
Virou sensação na internet um vídeo com uma paródia de como seria Lost se fosse uma novela das oito da Rede Globo. O vídeo logo abaixo é bem divertido e tem alguns atores que seriam ótimos nos papéis. Discordo de alguns apenas.
Fábio Assunção como Sawyer, não sei. Apesar de ter feito um ótimo canalha (Renato Mendes de Celebridade), acho que eu o colocaria como o certinho Jack. Para o golpista eu escalaria Rodrigo Santoro, agora sim em um papel decente.
Ary Fontoura como Locke também não combina muito, eu colocaria Stênio Garcia, por exemplo. Para Ary daria o papel de Bernard, com Zezé Mota fazendo sua Rose.
Daniel Uemura é muito jovem para Jin, mas não lembro de nenhum oriental para colocar no papel. E vocês, o que acham?
Fábio Assunção como Sawyer, não sei. Apesar de ter feito um ótimo canalha (Renato Mendes de Celebridade), acho que eu o colocaria como o certinho Jack. Para o golpista eu escalaria Rodrigo Santoro, agora sim em um papel decente.
Ary Fontoura como Locke também não combina muito, eu colocaria Stênio Garcia, por exemplo. Para Ary daria o papel de Bernard, com Zezé Mota fazendo sua Rose.
Daniel Uemura é muito jovem para Jin, mas não lembro de nenhum oriental para colocar no papel. E vocês, o que acham?
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sábado, 29 de maio de 2010
Viver a vida - depoimento final
Sei que ano em falta com esse espaço, gostaria de ter escrito uma análise final de Viver a vida e as primeiras impressões de Passione. Sobre a nova novela, ainda vou escrever algo, mas como a trama de Manoel Carlos, graças Deus, já é passado, coloco aqui apenas o depoimento final do capítulo, que foi um dos encerramentos que mais me emocionou nos últimos tempos de telenovelas.
Se você não viu, vale a pena. Se viu, é sempre bom rever...
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segunda-feira, 19 de abril de 2010
Escrito nas estrelas
Está escrito nas estrelas que temática espiritual dá Ibope. Pensando nisso, a nova novela das seis foi mais do que encomendada pela Rede Globo. A escritora Elizabeth Jhin, então, teve que estudar o espiritismo para criar sua nova trama e após uma semana, a novela apresenta bons índices, uma média de 25 pontos, mantendo o de sua antecessora, Cama de Gato. O que é visto como bom pelos executivos da emissora.
Com o início das interferências espirituais, essa média tende a crescer. Mas, não é só disso que se sustenta a novela. Na verdade, a autora de Eterna Magia pegou o gancho em outro tema polêmico: inseminação artificial e problemas éticos ligado à ciência genética. Um morto pode se tornar pai? E mais, uma criança pode ser gerada exclusivamente pela vontade de seu avô biológico que quer ter "seu filho de volta?"
Tudo é muito questionável, polêmico e por isso, gera burburinho. O que é sempre bom para uma telenovela. Particularmente, eu não gostei tanto desse mote, mas fiquei satisfeita com a primeira semana apresentada. A história foi se desenvolvendo bem, com alguns pequenos percalços, mas que na média fazem a gente querer continuar acompanhando a trama.
O primeiro capítulo foi forçado em vários aspectos. A forma como Viviane vai parar no hospital, o primeiro embate dela com Daniel, a forma como ela foi incriminada pelo assalto do pai, a carona no carro do moço, o pacto e o acidente. Parece mesmo escrito nas estrelas, não deu tempo nem da gente respirar. E dá para entender que tem alguma coisa de outras vidas, mas, uma viagem já foi o suficiente para o rapaz passar sua existência espiritual cuidando da moça? Pela doutrina há várias questões aí, principalmente a rapidez com que ele se recuperou e já está perambulando pelo planeta: um mês. Mas, não posso dizer que seja impossível, já que era um rapaz de bom coração e teve o resgate imediato. Resta saber como será a condução do outro lado.
Quanto aos que ficam encarnados. A velha trama de mocinha chantageada pelo golpista e duas vilãs inescrupulosas no seu encalço. Aliás, a criatividade foi tanta que a música tema de Beatriz é a mesma de várias outras peruas de novela. Mas, faz parte do gênero, ainda mais no horário em que se encontra. Outra coisa que chama a atenção pela falta de criatividade é a abertura, simplista e sem muito sentido com o tema. Mas, há coisas boas. O núcleo da médium trambiqueira também é bem construído, mas espero que mediunidade e religião não se resumam a isso. Quem sabe agora temos um centro espírita em uma novela? A favela foi bem representada e interessante a questão do temporal e alagamento tão próximos ao desastre no Rio de Janeiro. Ponto positivo para a produção. Continuando nesse ritmo, Escrito nas Estrelas vai uma daquelas tramas boas de se acompanhar. Tomara.
Com o início das interferências espirituais, essa média tende a crescer. Mas, não é só disso que se sustenta a novela. Na verdade, a autora de Eterna Magia pegou o gancho em outro tema polêmico: inseminação artificial e problemas éticos ligado à ciência genética. Um morto pode se tornar pai? E mais, uma criança pode ser gerada exclusivamente pela vontade de seu avô biológico que quer ter "seu filho de volta?"
Tudo é muito questionável, polêmico e por isso, gera burburinho. O que é sempre bom para uma telenovela. Particularmente, eu não gostei tanto desse mote, mas fiquei satisfeita com a primeira semana apresentada. A história foi se desenvolvendo bem, com alguns pequenos percalços, mas que na média fazem a gente querer continuar acompanhando a trama.
O primeiro capítulo foi forçado em vários aspectos. A forma como Viviane vai parar no hospital, o primeiro embate dela com Daniel, a forma como ela foi incriminada pelo assalto do pai, a carona no carro do moço, o pacto e o acidente. Parece mesmo escrito nas estrelas, não deu tempo nem da gente respirar. E dá para entender que tem alguma coisa de outras vidas, mas, uma viagem já foi o suficiente para o rapaz passar sua existência espiritual cuidando da moça? Pela doutrina há várias questões aí, principalmente a rapidez com que ele se recuperou e já está perambulando pelo planeta: um mês. Mas, não posso dizer que seja impossível, já que era um rapaz de bom coração e teve o resgate imediato. Resta saber como será a condução do outro lado.
Quanto aos que ficam encarnados. A velha trama de mocinha chantageada pelo golpista e duas vilãs inescrupulosas no seu encalço. Aliás, a criatividade foi tanta que a música tema de Beatriz é a mesma de várias outras peruas de novela. Mas, faz parte do gênero, ainda mais no horário em que se encontra. Outra coisa que chama a atenção pela falta de criatividade é a abertura, simplista e sem muito sentido com o tema. Mas, há coisas boas. O núcleo da médium trambiqueira também é bem construído, mas espero que mediunidade e religião não se resumam a isso. Quem sabe agora temos um centro espírita em uma novela? A favela foi bem representada e interessante a questão do temporal e alagamento tão próximos ao desastre no Rio de Janeiro. Ponto positivo para a produção. Continuando nesse ritmo, Escrito nas Estrelas vai uma daquelas tramas boas de se acompanhar. Tomara.
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segunda-feira, 29 de março de 2010
Troféu Imprensa
E no mesmo dia em que a Globo transmitiu seu melhores do ano, Sílvio Santos exibe o Troféu Imprensa 2010. Mais tradicional e englobando todas as emissoras abertas do país, o único problema do prêmio é não ter os participantes ao vivo para o anúncio. Para amenizar, são convidados vencedores dos anos anteriores para pegar seus prêmios. Assim, foi Cauã Raymond que venceu ano passado por sua atuação em A Favorita e reclamou das brincadeiras do dono do baú. Hebe Camargo também compareceu, sendo o ponto emocional da noite, após sua luta contra o câncer.
Comparando com o Melhores do Ano da Globo,algumas diferenças, como Lílian Cabral (sempre excelente) e Tony Ramos, melhor atriz e ator, ou Ivete Sangalo como melhor cantora. Agora, a música continua sendo o hit do Calcinha Preta.
Confira os vencedores:
Ator – Tony Ramos
Atriz – Lilia Cabral
Novela – Caminho das Índias (Globo)
Música – Você Não Vale Nada, Mas Eu Gosto de Você
Cantor – Roberto Carlos
Cantora – Ivete Sangalo
Programa jornalístico – Profissão Repórter (Globo)
Humorístico – Pânico e CQC (empate)
Revelação – Mateus Solano
Banda – NX Zero e Skank (empate)
Programa infantil – Bom Dia & Cia (SBT)
Apresentador – Rodrigo Faro (Record)
Apresentadora – Eliana (SBT)
Telejornal – Jornal Nacional (Globo)
Programa de entrevista – Marília Gabriela Entrevista (GNT) e Altas Horas (Globo)
Comparando com o Melhores do Ano da Globo,algumas diferenças, como Lílian Cabral (sempre excelente) e Tony Ramos, melhor atriz e ator, ou Ivete Sangalo como melhor cantora. Agora, a música continua sendo o hit do Calcinha Preta.
Confira os vencedores:
Ator – Tony Ramos
Atriz – Lilia Cabral
Novela – Caminho das Índias (Globo)
Música – Você Não Vale Nada, Mas Eu Gosto de Você
Cantor – Roberto Carlos
Cantora – Ivete Sangalo
Programa jornalístico – Profissão Repórter (Globo)
Humorístico – Pânico e CQC (empate)
Revelação – Mateus Solano
Banda – NX Zero e Skank (empate)
Programa infantil – Bom Dia & Cia (SBT)
Apresentador – Rodrigo Faro (Record)
Apresentadora – Eliana (SBT)
Telejornal – Jornal Nacional (Globo)
Programa de entrevista – Marília Gabriela Entrevista (GNT) e Altas Horas (Globo)
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domingo, 28 de março de 2010
Melhores do ano
O melhores do ano da Rede Globo não chega a ser algo tão fiel, já que a emissora, ao contrário do Troféu Imprensa não admite concorrentes de outras emissoras. Ainda assim, o prêmio tem se firmado na televisão brasileira e hoje teve o resultado dos melhores de 2009. Dizem que a voz do povo é a voz de Deus, mas fico preocupada quando vejo coisas como "você não vale nada, mas eu gosto de você" ser escolhida como melhor música do ano. Nada contra o forró do Calcinha Preta, mas... Deixa pra lá.
Gostei da eleição de Adriana Birolli e Mateus Solano, como atriz e ator revelação. Além de Alinne Moraes e Dira Paes como melhor atriz e atriz coadjuvante. César Cielo também não tinha como perder o melhor esportista, após record e título mundial. O resto, não concordo muito, mas não deixo de reparar o fato de que um padre levou prêmio de melhor cantor.
Confira a lista:
Ator/Atriz mirim – Klara Castanho
Jornalista – William Bonner
Cantor – Padre Fábio de Melo
Comediante - Katiuscia Canoro
Ator Coadjuvante – Bruno Gagliasso
Grupo/Banda ou Dupla – Victor e Léo
Esportista - César Cielo
Atriz Revelação – Adriana Birolli
Cantora - Claudia Leitte
Ator Revelação – Mateus Solano
Atriz Coadjuvante – Dira Paes
Revelação Musical – Luan Santana
Atriz – Alinne Moraes
Ator – Eriberto Leão
Música do ano – “Você não vale nada” (Calcinha Preta)
Gostei da eleição de Adriana Birolli e Mateus Solano, como atriz e ator revelação. Além de Alinne Moraes e Dira Paes como melhor atriz e atriz coadjuvante. César Cielo também não tinha como perder o melhor esportista, após record e título mundial. O resto, não concordo muito, mas não deixo de reparar o fato de que um padre levou prêmio de melhor cantor.
Confira a lista:
Ator/Atriz mirim – Klara Castanho
Jornalista – William Bonner
Cantor – Padre Fábio de Melo
Comediante - Katiuscia Canoro
Ator Coadjuvante – Bruno Gagliasso
Grupo/Banda ou Dupla – Victor e Léo
Esportista - César Cielo
Atriz Revelação – Adriana Birolli
Cantora - Claudia Leitte
Ator Revelação – Mateus Solano
Atriz Coadjuvante – Dira Paes
Revelação Musical – Luan Santana
Atriz – Alinne Moraes
Ator – Eriberto Leão
Música do ano – “Você não vale nada” (Calcinha Preta)
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quarta-feira, 17 de março de 2010
Qual o problema de Helena?
Goste ou não de Viver a vida, todos devem concordar com uma coisa, a Helena de Taís Araujo é a mais apagada das personagens símbolo de Manoel Carlos. Ouvi uma pessoa dizer que era porque ela não tinha defeito e por isso era chata. Discordo. Antes de mais nada é bom que fique claro: todas as Helenas de Manoel Carlos têm defeitos (Taís Araujo não é diferente) e todas são chatas, não há como não serem com todo aquele discurso moralista. O autor defende que elas erram por amor e por isso, é justificável. Ainda assim, são chatas. Aos que não se lembram, são elas:
Lílian Lemmertz em Baila Comigo (representada na foto pela filha Júlia Lemmertz)
Maitê Proença em Felicidade
Regina Duarte em História de Amor
Regina Duarte em Por Amor
Vera Fisher em Laços de Família
Christiane Torloni em Mulheres Apaixonadas
Regina Duarte em Páginas da Vida
E finalmente, Taís Araújo em Viver a Vida.
Voltando a Helena atual, a moça tem defeitos e muitos. Fez um aborto no passado para não perder um emprego. Mente e traí o marido. É moralista com a irmã (mulher de um traficante), mas age muitas vezes de forma menos ética. Ao mesmo tempo fica se culpando por um acidente com a enteada e é capaz de se humilhar ajoelhando-se na frente da mãe desta pedindo perdão. Preocupa-se com todos e faz de tudo para ajudá-los, mas isso é uma característica clássica de todas as Helenas. Então, porque esta Helena não está funcionando sendo quase uma figurante em sua própria novela?
Meu palpite mais claro é que ela não tem objetivo. Simplesmente sua existência não tem muito sentido. Qual é a grande questão que o espectador espera ser resolvida? A moça começou a novela como uma modelo famosa. Conheceu um homem mais velho, pai de sua rival nas passarelas. Casou-se rapdamente e teve uma lua de mel linda em Paris. Volta, o cara é machista e não quer que ela continue a carreira. Ela resolve largar a profissão, mas vai para um último desfile no exterior. Volta grávida e com a enteada tetraplégica. O marido a culpa, eles se separam, ela perde o bebê, os dois reatam, mas o casamento não é mais o mesmo. Ela já está interessada em um rapaz que conheceu na última viagem, mas, sabe-se lá por que, apesar de não conseguir mais uma boa relação com o marido, ela fica se infringindo um sofrimento que não tem sentido. Então, fica a pergunta: O que Helena quer, afinal? Qual o seu objetivo de vida? Qual a jornada que nossa heroína tem que percorrer e pela qual temos que torcer? Tudo em sua vida parece vazio, sem sentido. Como torcer e se identificar por alguém assim?
Por isso, Luciana ganhou tanto espaço. É muito mais fácil torcer e se emocionar por uma moça bonita presa a uma cadeira de rodas. Uma garota mimada que após o acidente teve que reaprender a viver e ainda conta com a ajuda de seu príncipe encantado, Miguel, para ajudá-la. A cena da declaração dos dois foi o ápice do clássico melodramático. A cena mais esperada da novela. Parece que Maneco não se tocou para esse pequeno detalhe ao construir sua Helena jovem. Se Luciana fosse a Helena, quem sabe...
Lílian Lemmertz em Baila Comigo (representada na foto pela filha Júlia Lemmertz)
Maitê Proença em Felicidade
Regina Duarte em História de Amor
Regina Duarte em Por Amor
Vera Fisher em Laços de Família
Christiane Torloni em Mulheres Apaixonadas
Regina Duarte em Páginas da Vida
E finalmente, Taís Araújo em Viver a Vida.
Voltando a Helena atual, a moça tem defeitos e muitos. Fez um aborto no passado para não perder um emprego. Mente e traí o marido. É moralista com a irmã (mulher de um traficante), mas age muitas vezes de forma menos ética. Ao mesmo tempo fica se culpando por um acidente com a enteada e é capaz de se humilhar ajoelhando-se na frente da mãe desta pedindo perdão. Preocupa-se com todos e faz de tudo para ajudá-los, mas isso é uma característica clássica de todas as Helenas. Então, porque esta Helena não está funcionando sendo quase uma figurante em sua própria novela?
Meu palpite mais claro é que ela não tem objetivo. Simplesmente sua existência não tem muito sentido. Qual é a grande questão que o espectador espera ser resolvida? A moça começou a novela como uma modelo famosa. Conheceu um homem mais velho, pai de sua rival nas passarelas. Casou-se rapdamente e teve uma lua de mel linda em Paris. Volta, o cara é machista e não quer que ela continue a carreira. Ela resolve largar a profissão, mas vai para um último desfile no exterior. Volta grávida e com a enteada tetraplégica. O marido a culpa, eles se separam, ela perde o bebê, os dois reatam, mas o casamento não é mais o mesmo. Ela já está interessada em um rapaz que conheceu na última viagem, mas, sabe-se lá por que, apesar de não conseguir mais uma boa relação com o marido, ela fica se infringindo um sofrimento que não tem sentido. Então, fica a pergunta: O que Helena quer, afinal? Qual o seu objetivo de vida? Qual a jornada que nossa heroína tem que percorrer e pela qual temos que torcer? Tudo em sua vida parece vazio, sem sentido. Como torcer e se identificar por alguém assim?
Por isso, Luciana ganhou tanto espaço. É muito mais fácil torcer e se emocionar por uma moça bonita presa a uma cadeira de rodas. Uma garota mimada que após o acidente teve que reaprender a viver e ainda conta com a ajuda de seu príncipe encantado, Miguel, para ajudá-la. A cena da declaração dos dois foi o ápice do clássico melodramático. A cena mais esperada da novela. Parece que Maneco não se tocou para esse pequeno detalhe ao construir sua Helena jovem. Se Luciana fosse a Helena, quem sabe...
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