segunda-feira, 20 de abril de 2009

Túnel do Tempo: dois clássicos de Ivani

O mês de abril é aniversário de estreia de dois clássicos de Ivani Ribeiro na Globo. A Viagem, que estreou dia 11 de abril de 1994 e A gata comeu, de 15 de abril de 1985.

As duas novelas são remakes de sucessos da Rede Tupi, A Gata Comeu tinha o nome de A Barba Azul, enquanto que A Viagem manteve o nome original. Mesmo assim, as duas novelas conseguiram bater recordes de audiência, sendo as novelas mais vistas em seus respectivos horários de todos os tempos. Além disso, ambas são as únicas novelas que já foram reprisadas duas vezes no Vale a Pena Ver de Novo, sendo ainda hoje pedidas novas reprises de fãs saudosos. E outro detalhe, ambas protagonizadas por Eva Wilma na versão original e por Christiane Torloni nos remakes.

Exibida originalmente as 18hs, A Gata Comeu contava a história de Jô Penteado, mulher que apesar de ficar noiva 9 vezes nunca chegava ao altar, sendo apelidada de "Lucrécia Borgia". Ela sofre por nunca ter se apaixonado de verdade até que conhece o professor Fábio, viúvo com dois filhos, e noivo de Paula. A princípio, uma birra recíproca atinge ambos, que aos poucos vão descobrindo estar apaixonados. A novela primava pelo lado cômico, com cenas de personagens atrapalhados e um grupo de crianças, que fundou o clube do curumim, atraindo o público infantil para novela.

Os doze primeiros capítulos mostra boa parte do elenco presa em uma ilha deserta e serviu de gancho para o romance conturbado dos protagonistas interpretados por Nuno Leal Maia e Christiane Torloni que demonstraram uma química perfeita tanto para as brigas quanto para cenas românticas. A novela atingiu 54 pontos no Ibope e foi líder do horário até 1993, quando Mulheres de Areia (outro sucesso da autora) conseguiu atingir 55 pontos. Uma novela que realmente, vale a pena ser lembrada.



A Viagem estreou em 1994, trazendo de volta as telas a atriz Christiane Torloni após uma estadia em Portugal por motivos pessoais. Tendo o espiritismo como mote, contava a história de Alexandre, um rapaz inconsequente que mata um homem para roubar e acaba se suicidando na prisão. Do outro lado da vida, ele vira um espírito obsessor tentando se vingar de seus desafetos, o advogado Otávio Jordão, seu irmão Raul e seu cunhado Téo. Dinah, sua irmã mais velha e que sempre fez de tudo para ajudá-lo, travará uma luta contra Otávio até o momento em que percebe que está apaixonada por ele. Ambos viverão um grande amor na terra e após a morte, quando juntos tentarão ajudar suas famílias e resgatar o espírito de Alexandre de volta para luz.

A novela conseguiu 52 pontos no Ibope, recorde não alcançado por nenhuma outra novela do horário e que dificilmente conseguirá ser superada, já que a audiência está mais diluída atualmente. Foi a última novela de Ivani Ribeiro que faleceu no ano seguinte, deixando orfãos os fãs da boa teledramaturgia brasileira.

A mensagem final da novela:
"Hoje, de algum lugar longe dessas terras. Há um doce olhar só pra você. Um olhar especial. De alguém especial, de distantes origens. Um olhar de um justo coração que pulsa só a vida. Que sorri porque ama plenamente. Sem julgamentos, preconceitos nem prisões. Hoje, como ontem, longe desses Céus. Há um encantador olhar só pra você. Nesse olhar vai para você a magia da luz. A simplicidade do perdão. A força para comungar com a vida. A esperança de dias mais radiantes de paz. Hoje, de algum lugar dentro de você. Alguém que já o amou muito e ainda o ama. Diz para você que valeu a pena ter estado nessas Terras. Sob estes Céus. Falando de união, paz, amor e perdão. Poder sentir a força que faz você sorrir. E continuar o caminho. Que um dia aquele doce olhar iniciou pra você. Tudo isso, só pra você saber que a vida continua. E a morte é uma viagem."



A Viagem é, sem dúvidas, a minha novela preferida de todos os tempos, foi a primeira comunidade que procurei no Orkut, tenho o livro da Tupi que conta a história da novela, tenho a novela gravada e reportagens da mesma. Acho que por isso, um rapaz do orkut me fez uma homenagem inesperada. Divulguei uma música minha (em parceria com Grace Gomes) por lá e ele fez um clipe com imagens da novela. A música é cantada pela baiana Stella e a letra, realmente, tem muito a ver com a mensagem da novela. Deixo claro apenas que não incentivei o ato espontâneo, só conheço o rapaz pelo orkut, e não costumo utilizar imagens da Globo em meus trabalhos, mesmo que gravadas de forma caseira, para não infringir os direitos autorais. Acho apenas que uma ação como essa é uma forma de divulgar ainda mais uma trama tão bonita que já merecia ter sido comercializada pela Globo para seus milhares de fãs.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Semana de estreias

Acabou o Big Brother começou o ano para Rede Globo, os programas ganharam novos cenários, novos quadros, alguns passaram por mudanças mais significativas, como o Vídeo Show que passou a ser ao vivo. Voltaram as atrações noturnas como Casseta&Planeta, Toma Lá - Dá Cá, A Grande Família e Programa do Jô. Enfim, o ano começou de verdade tal qual o calendário judaico.

Dentre as novidades, três estreias significativas. A nova novela das sete, Caras&Bocas, e duas séries Força Tarefa e Tudo Novo de Novo. Delas iremos falar um pouco mais. Porém, nem só a Globo estreou atração nova. Para concorrer com tudo isso, A Rede Record criou o terceiro horário de novelas, indo ao ar desde terça-feira a novela Poder Paralelo de Lauro César Muniz. A briga promete ser feia.

Caras e Bocas - Walcyr Carrasco e seu humor interiorano fizeram sucesso nos cenários rurais das novelas das seis. Sempre misturando pastelão, romance e bichos em uma receita aprovada pelo público. Ao migrar para o horário das sete, ele maqueou a fórmula com uma história urbana, mas tudo continua lá. A trama conta a história do romance entre Dafne e Gabriel, separados na adolescência por um plano maquiavélico da mulher do avô da moça. Assim, os pombinhos apaixoandos seguiram, sem esquecer um ao outro, mas acreditando que não é amado. Paralelo a isso, temos a história do macaco pintor. Sim, Denis, um pintor frustrado tem sua galeria invadida pelo simpático primata que lambuza todos os seus quartos. A partir daí as obras fazem sucesso como inovadoras. Enquanto a trama do macaco não deslancha, a primeira semana mostrou uma parte do elenco na África do Sul, com direito a cena de Flávia Alessandra com uma tocha na mão afungentando leão. Enfim, é o estilo Walcyr Carrasco de ser, com a ajuda da direção de Jorge Fernando. O diretor deve estar sentindo falta do humor inteligente que Sìlvio de Abreu imprimia ao horário. Mas, de qualquer maneira, Caras&Bocas promete ser uma trama leve e divertida, melhor de sua antecessora Três Irmãs.

Poder Paralelo - Dois anos após Thiago Santiago barrar a sinopse, Lauro César Muniz conseguiu estrear sua novela sobre um homem de carater dúbio que envolve o narcotráfico e máfia italiana. A novela estreou na terça-feira e com a pouca divulgação, muita gente esqueceu de sintonizar o canal. A trama é densa, com bons diálogos (graças a Deus, ao contrário do texto do Thiago), cenas eletrizantes (como a explosão do carro da família de Tony) e ganchos instigantes. Dá vontade de acompanhar o drama do personagem de Gabriel Braga Nunes (ator preferido do autor). Tony Castellamare é um homem misterioso e marcado para morrer. Aparentemente um exportador de vinho e azeite, vê sua família assassinada em uma emboscada que a máfia italiana havia organizado para matá-lo. Assim resolve ir ao Brasil, de onde surgiu a ordem, para se vingar. Nesse caminho conhecerá Téo, um policial que investiga o narcotráfico no Brasil. E Lígia, uma bela reporter que irá se apaixonar por ele. Os primeiros capítulos demonstraram que esta é mais uma boa novela da Rede, ao lado de Cidadão Brasileiro e Essas Mulheres, ambas com o mesmo ator.



Força Tarefa - Preocupada com o sucesso das séries americanas, as investidas da Fox e da HBO em séries brasileiras e o sucesso da série A Lei e O Crime, da Rede Record, a Globo acaba de lançar uma série de ação. Força Tarefa conta a história de um grupo de policiais que investigam a própria polícia combatendo o crime interno, subornos e armações. Tendo Murilo Benício e Milton Gonçalves encabeçando o elenco, conta com muitos rostos novos nas telas e a atriz Hermila Guedes (do filme O céu de Suely). A produção está impecável, o tema é interessante, mas falta algo para Força Tarefa prender o público, como fez A Lei e O Crime. Com uma história de mistério, corrupção e ação, o seriado da Record investiu nos ganchos e prendeu a atenção do público. Dá vontade de saber o que vai acontecer em seguida. Força Tarefa não teve nada disso. Um episódio morno, não criou empatia, nem despertou curiosidade. Muito diferente de séries anteriores da Rede como Plantão de Polícia, Delegacia de Mulheres ou A Justiceira. Vai ter que melhorar muito para fazer sucesso.

Tudo Novo de Novo - E para quem não gosta de tema policial, estreia hoje uma série no melhor estilo comédia romântica. Contando a história de Clara e Miguel recém saídos de relacionamentos ruins e que não querem se envolver novamente. O casal, no entanto, vai se apaixonar e viver aventuras típicas do dia a dia de quem está recomeçando. É esperar para ver.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Dona Beija

Em 1982, a Rede Globo comprava os direitos da história de Ana Jacinta de São José, personagem real do Brasil Império e pretendia fazer uma minissérie. Porém, achou que seria muito gasto e desistiu do projeto. Provavelmente se arrependeu ao ver que em 1986, a Rede Manchete dava sua última cartada para conseguir sobreviver a crise em que se encontrava, lançando a novela Dona Beija, com Maitê Proença no papel principal. A princípio, a atriz convidada para ser a protagonista foi Bruna Lombardi, já que Maitê era atriz da Globo, mas com a recusa da primeira, a Manchete resolveu sondar a atriz que aceitou, deixando para traz o papel de Simone, no remake de Selva de Pedra, interpretada por Fernanda Torres.

Nem a Manchete, nem Maitê Proença se arrependeram. Dona Beija foi o maior sucesso da emissora, sendo vendida e aceita em diversos países e gerando até hoje comentários e matérias para a carreira da atriz. É considerada a segunda novela de maior sucesso internacional (perdendo apenas para Escrava Isaura), foi a primeira e única novela a ser comercializada para o público final (em fitas VHS) e hoje, volta ao SBT, ajudando o Ibope da emissora a subir. Não tanto quanto Pantanal, mas o horário também não é dos melhores, já que a trama só começa após o capítulo de Revelação, novela original do SBT, escrita pela esposa de Sílvio Santos, Íris Abravanel.

Sílvio Santos fez mistério, anunciou Ana Raio e Zé Trovão, mas acabou surpreendendo a todos com a trama de Araxá, ainda mais em um tempo onde a faixa indicativa costuma geral problemas. E tão rápido foi a divulgação da reprise, atores já começaram a protestar. Maitê Proença tomou um susto e teme pela super exposição de suas cenas de nudez. Gracindo Júnior já contactou advogado e quer unir artistas para tirar a novela do ar. Burburinhos a parte, a novela é gostosa de se ver. Apesar do alarde sobre as péssimas condições das fitas, a imagem está reazoavelmente boa. Limpa, sem chiados e com um colorido não desbotado.

É interessante rever atores esquecidos, falecidos e a mudança de linguagem. Além, claro, da trama em si que conta a história de Ana Jacinta que é sequestrada pelo ouvidor Mota e tem que usar de sua beleza para subir na vida e conquistar sua liberdade. Apaixonada por Antonio, que apesar de amá-la não consegue vencer o preconceito e lutar por ela, Beija passa a sua vida tentando se vingar do único homem que desejou. Paralelo a isso, ela abre a chácara de Araxá, um bordel de luxo, e procura um diamante raro que a tornará a mulher mais rica do país.

Agora é torcer para que os atores se entendam com Sílvio Santos, que a audiência aumente e que possamos curtir uma das melhores obras da teledramaturgia brasileira.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Três Irmãs


Finalmente vai ao ar hoje o último capítulo da novela 3 Irmãs. Com sua trama sem pé nem cabeça, Antonio Calmon conseguiu superar Corpo Dourado em rejeição. Um feito impressionante para quem tinha um elenco tão bom nas mãos, um cenário tão paradisíaco e temas tão próximos de um dos maiores sucessos do horário: a novela Top Model. Isso para compará-la apenas a tramas do mesmo autor.

A trama de Caramirim teve bandido caricato, praia ameaçada por industrialização e vingadora fantasiada de Mary Poppins para destruir a vilã-mor. Mesmo assim, não funcionou e parecia perdida a cada capítulo. Nem a tentativa sobrenatural com Zé Wilker de fantasminha, depois os poderes de Alma e sua mãe conseguiram salvar a novela que amargou um Ibope péssimo.

O grande destaque vai mesmo para Giovanna Antonelli, que mais uma vez demonstrou grande talento com uma Alma hilária e, ao mesmo tempo, heroína competente. Como alguém tão estabanado podia ser uma excelente médica e ainda ter poderes de teletransporte e sensitivo é um mistério que Antonio Calmon não conseguirá explicar. Mesmo assim, ela caiu no gosto dos que assistiram a trama.


Cláudia Abreu totalmente desperdiçada após dois personagens memoráveis no horário das oito (Laura e Vitória) conseguiu me arrancar uma risada ao fazer uma brincadeira com o ator Cássio Gabus Mendes citando a amizade dos dois na minissérie Anos Rebeldes. Ao se despedir do personagem Baby, ela diz que adorou conviver com ele e que ele é daqueles amigos de tempos, que se encontra por aí, em alguns Anos Rebeldes.

Vera Holtz, grande vilã da trama, esteve ótima, mas sua Violeta não entrará no Hall dos grandes vilões de novela, pois dificilmente alguém lembrará dessa trama daqui a alguns anos. Uma pena também para atores como Maitê Proença, Marcos Caruso, Ana Rosa, Beth Goulart, Cassio Gabus Mendes, Luis Gustavo, entre outros. Além da própria Regina Duarte, que parece que nunca mais terá uma viúva Porcina em suas mãos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

EXTRA

Apenas para não deixar passar, Sílvio Santos mais uma vez fez estreia surpresa. Ontem começou no SBT (Logo após Caminho das Índias, como ele gosta de anunciar) a reprise de Dona Beija, novela de sucesso da extinta Rede Manchete, que traz Maitê Proença como a protagonista Ana Jacinta de São José. Essa, realmente, Vale a Pena Ver de Novo. Segunda-feira, publico um post com o balanço dessa primeira semana e um pouco mais sobre a novela.

Enquanto isso, confiram o que o Uol publicou:
SBT surpreende e reestreia Dona Beija

Na noite desta segunda-feira, 6 de abril, o SBT surpreendeu mais uma vez seus telespectadores. Inicialmente, como já havia sido anunciado, às 21h45 entrava no ar a conturbada novela Revelação, de Iris Abravannel. Dessa vez a trama não esperou acabar Caminho das Indias, da Globo. Revelação teve um capítulo de apenas 40 minutos, com um único intervalo comercial.

Logo depois da trama de Iris, das 22h25 às 23h15, foi exibida a anunciada Arma Secreta, que já há algumas semanas era divulgada pela emissora. As chamadas mantinham o suspense em relação a qual folhetim da extinta Rede Manchete seria reprisado. Apesar da emissora nada confirmar, as informações dos bastidores já davam como certa a reprise da novela Ana Raio e Zé Trovão, trama exibida em 1990, escrita por Marcos Caruso e Rita Buzzar.

A surpresa da noite para o telespectador foi se deparar com a reprise da novela Dona Beija, de 1986, escrita por Wilson Aguiar Filho e dirigida por Herval Rossano. A trama protagonizada por Maitê Proença, era tida como carta fora do baralho para uma possível reapresentação. Até então, o motivo para uma não reexibição seria a baixa qualidade da fitas. O SBT iria fazer um remake de Dona Beija em 2010.

Antes de colocar Dona Beija no ar, o SBT exibiu um comunicado solicitando que todos as pessoas que tivessem qualquer tipo de envolvimento com a trama, procurassem a emissora para receberem seus direitos pela reapresentação. O mesmo comunicado foi colocado na página inicial do site do canal.

A novela

Dona Beija (Maitê Proença) conta a história de Ana Jacinta de São José. Ana é vítima do desejo de Mota, o ouvidor do Rei em visita a Araxá. Apaixonada por Antônio Sampaio, Beija sofre. Para vingar-se do seu algoz, quando ele está fora de casa, Beija serve aos homens que a desejam em troca de jóias e ouro. Já Antônio (Gracindo Júnior) fica desiludido e casa-se com Aninha.

Após ser recusada por Antônio, Beija funda um bordel e se transforma em um mito como cortesã, escandalizando todas as famílias conservadoras de Araxá. Seu intuito maior era ferir Marco Antônio. A chácara prospera, Beija se torna poderosa, envolve-se com João Carneiro, mas não consegue se desligar de Antônio, o homem de sua vida. Até que uma tragédia acontece.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Lembranças da infância

Hoje eu estava passeando pela net e encontrei algo que me fez entrar no túnel do tempo, em 1989, quando era uma criança começando a gostar de telenovelas. Foi o álbum de figurinhas de Que Rei Sou Eu? trama escrita por Cassiano Gabus Mendes como uma sátira ao momento político brasileiro. Estávamos as bocas da primeira eleição direta do país após 20 anos de ditadura militar. Tudo era euforia, após a constituição de 1988.

Cassiano buscou inspiração em obras como Os três mosqueteiros e O homem da máscara de ferro, ambas de Alexandre Dumas, para escrever a primeira trama de capa e espada na nossa dramaturgia. A história se passava em 1786, as vésperas da Revolução Francesa que acabou com o absolutismo na França e inspirou movimentos libertários em todo o mundo. O país era a fictícia Avilan, onde o Rei Petrus II falecia deixando em um testamento a existência de um príncipe bastardo. O rapaz era o rebelde Jean Pierre interpretado por Edson Celulari, mas o Bruxo Ravengar inventava um falso príncipe, pegando o mendigo Pichot (Tato Gabus Mendes) para treinar como seu discípulo e futuro rei.

Toda a ação, luta de espadas, clima medieval chamou a atenção das crianças que adoravam a novela, por isso, a Globo inovou lançando pela primeira vez um álbum de figurinhas de uma de suas tramas.

A trama marcou, também, pela sátira política, chamando a atenção dos espectadores mais cultos, porém gerou revolta entre os partidários da esquerda que atribuíram o jovem Jean Pierre ao caçador de marajás Collor de Mello, que acabou se elegendo. A Rede Globo estava transmitindo na mesma época a novela O Salvador da Pátria, onde Sassá Mutema era comparado ao metalúrgico Lula, nosso atual presidente da república, mas que naquela época era apenas um candidato em uma de suas muitas tentativas de chegar ao cargo máximo do país.

Cassiano, no entanto, não parecia partidário, atirava críticas para todos os lados e deixou seu recado no final da novela. Com discurso inflamado, Bergeron (Daniel Filho) pediu ao povo que prestasse atenção ao voto. Jean Pierre mandou todos gritarem "Viva ao Brasil" e Ravengar (Antonio Abujamra) voltou como Richelieu . Rasputin . Golbery, alertando ao povo para a volta dos velhos políticos, que estão até hoje no poder.



Até o narrador da reportagem diz que seria uma boa pedida para reprise. Inexplicavelmente, ou até mesmo por essas críticas todas, Que Rei Sou Eu? nunca foi reprisada no Vale a Pena Ver de Novo. Teve apenas um compacto de um mês na Sessão Aventura, menos de um ano antes do seu término. É a campeã de pedidos de retorno na emissora. Mas, pelo visto, vai ficar apenas na vontade, já que são cada vez mais recentes as novelas que voltam no horário da tarde.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Padecendo no Paraíso

Quem muito fala dá bom dia a cavalo, já dizia o dito popular. Antes da estreia de Paraíso, Benedito Ruy Barbosa soltou farpas para todos os lados, inclusive criticando a novela Negócio da China que estava com o pior Ibope de toda a história no horário (17 pontos). Com a estreia da novela de Benedito e o Ibope estacionado nos 20 pontos, ele disse que a culpa era de Malhação que entregava com uma audiência muito baixa. Por fim, Paraíso tem dado 16 pontos em média, tendo conseguido atingir esta semana apenas 15 pontos em alguns momentos. O fato deixou todos com cabelo em pé na emissora. Alguns engraçadinhos já estão propondo a mudança do nome para Inferno. "Paraíso" estreou com 25 pontos de média e já registra, portanto, uma queda de 40% no ibope, ou 4 em cada 10 telespectadores. Não quero aqui ficar chutando cachorro morto, até porque a novela não é ruim, mas isso serve de lição para Benedito Ruy Barbosa pensar melhor antes de falar dos outros.


Falando da novela, há ingredientes atraentes na trama, o texto poético de Benedito com o clima rural, a prosa, a viola, o romance ingênuo. O humor inteligente das cidadezinhas do interior. Uma história envolvente. Um elenco afinado, com grandes nomes como Cássia Kiss, Reginaldo Farias, Mauro Mendonça. Enfim, um bom programa para o início da noite. Porém, alguns problemas também são fáceis de apontar.


Em primeiro lugar, a Globo tem que se conscientizar de que novela não dá mais a audiência absoluta de antes. As televisões abertas têm investido bastante, os canais pagos estão cada vez mais frequentes nas casas dos brasileiros e a internet mudou a forma de ver televisão. Muita gente trabalha e assiste o capítulo depois no youtube, myspace ou mesmo no portal Globo.com. Isso é fato.


Além do mais, Paraíso não trouxe nada de novo. Tirando o fato de ser um remake de uma novela de 1982, ela traz em sua trama aspectos muito parecidos com as demais de Benedito Ruy Barbosa (Pantanal, Cabocla, Sinhá Moça e Renascer principalmente). Fora a questão da Santinha que lembra muito a recente Desejo Proibido. O público desse horário já demonstrou cansaço em relação a esses temas.

O horário das 18h vem com dificuldades há muito tempo, apenas Walcyr Carrasco conseguiu sucesso com suas tramas ligadas ao espiritualismo. Talvez, seja um indício para a emissora investir mais nesse tema. Afinal, uma das novelas mais lembradas, já reprisada três vezes com sucesso foi A Viagem, de Ivani Ribeiro.