quinta-feira, 11 de junho de 2009

Sem amor, eu nada seria

Na véspera do dia dos namorados, o clima romântico toma conta dos sites e blogs. Novela sem amor, não tem graça, faz parte do pacote de efeitos do melodrama sofrer, chorar e se emocionar com um casal apaixonado. Em uma tarefa árdua, então, resolvi listar 12 grandes casais da teledramaturgia brasileira. Até tentei lembrar de outras emissoras, mas os casais da Rede Globo saltaram em minha mente, muitos ficando de fora da lista. Divirtam-se, relembrando.

Nando e Juliana (novela Guerra dos Sexos - 1989)
Não me canso de falar desse casal criado por Sílvio de Abreu. O amor do motorista Nando pela dona Juliana conquistou a todos os corações sensíveis que pudessem assistir a esta grande novela. Vários foram os momentos românticos, destaco as declarações de amor de Nando na cabana e no Rio de Janeiro. Mas, a cena do primeiro beijo, na ilha, é a que melhor resume essa explosão de amor.

Hilda e Malthus (minissérie Hilda Furacão - 1998)
Uma garota que resolve se mudar para zona boêmia, se tornando a maior prostituta de todos os tempos. Um garoto que estuda o catecismo e é considerado por todos como um santo. Amor mais que impossível. Porém, Hilda e Malthus nutriam um sentimento tão forte que arrebatou a todos. Cena em Santana dos Ferros, onde Malthus toca os seios de Hilda pela primeira vez é emocionante.


Jerônimo e Potira (novela Irmãos Coragem - 1970)
Apesar da novela ter os dois casais mais famosos das telenovelas (Glória Menezes e Tarcísio Meira / Cláudio Marzo e Regina Duarte), foi o amor do terceiro irmão da família coragem com a índia potira que alimentou os sonhos românticos dos apaixonados. Simples, forte, lutando contra preconceito os dois acabam mortos em uma cena de tiroteio pelo diamante. Mais romântico impossível.

Ester e Inácio (novela Força de um Desejo - 1999)
Os que viram a novela sabem do que estou falando, nunca um casal teve tanta química e força nas telas. O amor proibido de Ester e Inácio arrancava suspiros dos mais resistentes. A aflição de amar profundamente e não poder, a certeza de que aquele é sua alma gêmea. Um dos momentos mais marcantes é quando os dois ficam presos na cabana de caça, por causa de uma chuva e conseguem resistir para não trair o Barão Sobral. O depoimento de Inácio no julgamento de Ester também é emocionante. E a cena do primeiro beijo no Rio de Janeiro, debaixo de chuva é outro momento inesquecível.

Jade e Lucas (novela O Clone - 2001)
O clone Murílo Benício Giovana AntoneliParece que os amores proibidos são sempre os mais marcantes. Aqui a cultura hebraica se põe entre Jade, filha de mulçumanos e Lucas, um brasileiro. Mesmo aparecendo um clone para mexer com a relação, nada abala aquele amor puro que surgiu no início da novela. A cena inicial em que o véu da moça caiu e os dois se olham encantados, continua sendo a mais marcante de todas.

Esteban e Lola (novela Kubanacan - 2002)
A gente nem bem sabia exatamente do que se tratava, mas Esteban e Lola conseguiram unir sensualidade, paixão e amor puro em um único casal. Independente das loucuras e mudanças da novela, não havia quem não torcesse por eles. Mesmo que no final, fosse revelado o parentesco quase incestuos, já que eram tia e sobrinho. Mas, a telenovela já tinha tido outro casal com esse grau de parentesco e ninguém ficou horrorizado.

João Maciel e Carolina (novela O Casarão - 1976)
O casarão Mirian Pires Paulo GracindoO amor não tem idade, e em O casarão ele percorre gerações de uma mesma família. Assim é o amor de João Maciel e Carolina que esperou quarenta anos para acontecer. No passado, eles haviam combinado de fugir juntos, porque a família da moça não aceitava o romance com um artista. Mas, Carolina acaba se casando com Atílio. A cena mais bonita é uma das mais românticas das telenovelas, já reprisada inumeras vezes em especiais: Carolina chega no restaurante e pergunta se está atrasada, ele responde: apenas 40 anos. E os dois sorriem.

Jô e Fábio (novela A Gata Comeu -1975 / 1985)
Em 1975, na Tupi, a novela tinha o nome de A Barba Azul, mas o casal já era Jô Penteado e professor Fábio. Esse casal era o típico criado por Ivani Ribeiro. Brigavam feito cão e gato por um bom tempo, mas no final se entendiam, em um amor imenso e incontrolável. Só Fábio para conseguir quebrar o jejum de casamento de Jó, após sete noivados desfeitos. Uma das cenas mais emocionantes é quando Fábio vai a sua casa, pensando que ela vai falar do divórcio e ela revela que recuperou a memória.

Dinah e Otávio (novela A Viagem - 1975 / 1994)
Aqui a novela tem o mesmo nome na Tupi e na Globo, o nome do personagem é que muda de Otávio (Globo) para César (Tupi). Mesmo assim, o amor sem fronteiras de Dinah e Otávio (César) tem a mesma força e tornou-se referência de amor eterno. Afinal, mesmo após a morte, eles continuam juntos, com um amor imenso e a certeza de que a vida continua e a morte é apenas uma Viagem. O reencontro dos dois após a morte é um dos momentos mais esperados e emocionantes da novela.

Vale Tudo Lídia Brondi Cássio Cabus MendesSolange e Afonso (novela Vale Tudo - 1988) Eles tiveram que esperar muito para ficar juntos, sofreram nas mãos da vilã Maria de Fátima, mas no final Solange e Afonso são lembrados como um dos casais mais românticos de todos os tempos. Tanto que o amor ultrapassou os limites da ficção e os atores (Lídia Brondi e Cássio Cabus Mendes) estão casados até hoje. A cena da reconciliação, após Afonso descobrir as armações de Fátima está no hall das mais belas.

Sandrinho e Jeferson (novela A Próxima Vítima - 1995)
E como o blog não tem preconceitos e aceita que toda forma de amor vale a pena, não poderíamos deixar de citar o primeiro casal homossexual aceito em uma novela. Outras tentativa houveram antes, mas Jeferson e Sandrinho foram o primeiro par romântico a ter torcida do público, revolucionando a teledramaturgia brasileira. A cena em que Sandrinho explica a sua mãe o que sente por Jerfeson é a mais bonita, já que pela censura, eles não tiveram nenhuma cena de amor, pareciam dois amigos de faculdade apenas.

Clara e Rafaela (novela Mulheres Apaixonadas - 2003)
Já em Mulheres Apaixonadas, Clara e Rafaela tiveram um pouco mais de abertura. As duas garotas, podiam se tocar mais facilmente, mesmo assim, com cuidado. A cena final das duas interpretando o maior exemplo de amor romântico da dramaturgia (Romeu e Julieta) pode ser considerada a melhor do casal. Com direito a um beijo selinho antes da morte de Julieta.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A lei e o Crime

Foi ao ar ontem o último episódio da primeira temporada e A Lei e o Crime. Pelo menos, assim anunciou a Rede Record. A série que começou com apenas 16 episódios planejados, com a boa audiência foi esticada e já fala em nova temporada.

Acho bom, depois de séries de única temporadas como Alice e Mandrake da tv fechada, ou as diversas séries da Globo que a gente nunca sabe até quando vai, pois não segue o mesmo padrão definido de temporadas, é interessante ver a Record tentando imitar o padrão americano. Infelizmente, é só tentando, pois a série ainda deixa muito a desejar, com um estilo muito mais perto de minissérie da Globo.

Não acompanhei todos os episódios, por isso, não sei dizer até que ponto houve barriga, ou a condusão da trama seguiu um nível crescente, mas é visível a melhora do primeiro para o último episódio. Os diálogos mais ágeis, a direção de cena mais madura, os personagens mais seguros. Fora o fechamento do ciclo. Uma coisa que irrita nos seriados americanos é a enrolação. Passa ano após ano e nada é explicado. Técnica para segurar a audiência, mas tem prazo de validade, né?

A melhor coisa do primeiro episódio de A Lei e o Crime foi o gancho final. O espectador foi acompanhando aquela história improvável de Nando, um vagabundo sustentado pelo sogro que se rebela contra a humilhação verbal do mesmo e o mata, fugindo para o morro. Em paralelo, vimos a história da socialite Catarina, que após a morte do pai em um assalto (assassinado pelo próprio Nando), resolve lutar contra o crime, tornando-se delegada de polícia. Tudo muito irreal, difícil de acreditar. Mas, aí a história pula no tempo e vemos a mesma Catarina em uma cadeira de rodas, dizendo que a um escritor que irá contar como ela foi parar em um tribunal, acusada da morte do marido e naquele estado. Quer mais suspense que isso? Qualquer um ficaria curioso.

A Lei e o Crime - CatarinaEntão, passam-se vinte episódios de lutar entre a Lei (representada por Catarina) e o Crime (representado por Nandinho), com situações diversas de corrupção dentro da polícia, na política e no morro. Até que chegamos ao último episódio. Catarina foi envolvida na morte de seu marido, todos os indícios levam a ela, apesar de sabermos não ter sido. Enquanto isso, Nandinho está se despedindo do morro, vai fugir com a família para o México. O episódio foi ágil, intercalando as duas situações. Muito tiro, na invasão do Cabeção, pela gangue de Nandinho. Muita tensão na delegacia, com a suspeita em cima de Catariana. Então, a vida dos dois volta a se cruzar.

A Lei e o Crime - Nandinho e bando do morroLacraia, apaixonada por Nandinho desde o início da série, e inconformada de vê-lo partir, resolve denunciar sua fuga para a polícia. Delegada e Romero (agente policial, cunhando de Nandinho) vão atrás do bandido. Muita troca de tiro depois, Catarina está baleada na coluna servical, caída no chão. Nandinho está desarmado e Romero aponta a arma para ele. Um momento também difícil de engolir. Afinal, Romero jurara vingança desde o primeiro episódio pela morte do pai, não ia ficar avisando à delegada os motivos, nem dizendo o que ia fazer. Ia atirar em Nandinho e pronto. Mas, a série precisava apontar para uma segunda temporada. Então, com a demora do agente, Catarina acaba atirando nele, impedindo que o mesmo mate o bandido. Resultado: Catarina em uma cadeira de rodas, respondendo a processo, Nandinho preso. A fala da delegada diz bem a intenção de futuro, quando fala que o advogado acredita na absolvição e os médicos na recuperação. Já Nandinho recebe uma carta de Lacraia falando de planos de fuga. Ou seja, final aberto a novas temporadas.

Para quem perdeu e ficou curioso, a Record tem um canal oficial no youtube, com todos os episódios.

Ou então, um resumo dos melhores momentos:

sábado, 6 de junho de 2009

TOP BLOG




O meu outro blog, CinePipocaCult está concorrendo ao TOP BLOG. Fico muito feliz com o resultado de um ano de trabalho e peço a todos que colaborem votando. É só clicar no banner acima, mas podem visitar também o blog, conferir os posts variados sobre cinema e votar por lá.

Obrigada.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Túnel do Tempo: Guerra dos Sexos

foto montagem elenco da comunidade Guerra dos Sexos Media ShareAmanhã fazem 26 anos da novela mais revolucionária de todos os tempos. Guerra dos Sexos, estreou no dia 6 de junho de 1983, ficando no ar até o dia 7 de janeiro de 1984, mudando completamente o conceito de novelas no horário das 19 horas. Com um humor escrachado, Sílvio de Abreu e Jorge Fernando trouxeram a história de uma aposta maluca entre dois primos que se odiavam. Charlô e Otávio, vividos por Fernanda Montenegro e Paulo Autran, herdaram toda a fortuna de um tio rico, com um único problema, nenhum dos dois podia se desfazer de sua parte, vendendo para outra pessoa. Assim, ambos tinham que dividir a mesma mansão e a diretoria de uma rede de lojas de departamento, as lojas Charlô´s.

O problema é que os dois se odiavam, por causa de um amor mal resolvido no passado, e viviam fazendo pequenas guerras por qualquer motivo. Até que eles têm uma idéia muito louca, uma aposta de 100 dias. Durante esse período as mulheres comandadas por Charlô iriam administrar sozinhas a loja de São Paulo, tendo que aumentar o faturamento em 10%. Caso elas conseguissem, Charlô ficava com tudo e Otávio tinha que admitir a competência das mulheres. Caso não conseguissem, Otávio ficava com tudo.

Mário Gomes e Maitê Proença guerra dos sexosSempre lembrada pela já mítica cena de guerra de comida no café da manhã entre os dois primos, Guerra dos Sexos era muito mais do que isso. Era pautada na irreverência, no humor inteligente, nas disputas entre homens e mulheres. E claro, no romance. Já falei aqui do romance de Nando e Juliana, que era o ponto mais bonito da novela, com cenas inesquecíveis como a conversa na cabana, a noite na Ceasa ou o baile a fantasia. Tinha também a luta de Ulisses, vivido por José Mayer, que tinha o sonho de ser boxer, mas trabalhava como carregador nas lojas. Tinha ainda Lucélia Santos, como a vilã Carolina que aprontou muitas falcatruas na tentativa de enriquecer. Enfim, era uma novela com todos os ingredientes.

Fernanda Montenegro e Paulo Autran guerra dos SexosO elenco era tão fenomenal que nem precisa falar muito, basta ver a lista abaixo para entender. Mas, Guerra contou ainda com participações mais do que ilustres, como Eva Wilma, Aracy Balabanian, Suzana Vieira, Irene Ravache e Renée de Vielmond na pele das ex-mulheres de Felipe, vivido por Tarcísio Meira. E Renata Sorrah, Regina Duarte e Suely Franco como as mulheres do Bigode Preto.

As grandes inovações da novela foram, em primeiro lugar, o humor. Hoje parece lugar comum dizer que novela das 19hs tem humor escrachado, mas na época foi bastante inovador. Basta olhar a corrida do Diamante para entender o que estou dizendo. Outra novidade foi a evidência da beleza masculina. Algo também bem comum no horário, nos dias de hoje, porém que antes era um verdadeiro tabu. A novela explorou bem os músculos de Mário Gomes como o motorista Nando, em várias cenas sem camisa, com um tatuagem que virou mania nacional. A novela inovou também, separando o casal Tarcísio e Glória, que não ficaram juntos no final da novela.
Mário Gomes guerra dos sexosFoi uma novela como poucas, nunca reprisada no Vale a Pena Ver de Novo, passou novamente em 1989, no horário das 17hs, na antiga Sessão Aventura. A net foi invadida recentemente pela novela através de fãs da trama. No youtube é possível encontrar muitas cenas e tem até como baixar os capítulos em alguns sites e no orkut. Quem quiser correr atrás, é só procurar. Vejam e comprovem que não é apenas um chavão, não se fazem mais novelas como antigamente.

Elenco
* Fernanda Montenegro - Charlotte de Alcântara Pereira Barreto (Charlô)
* Paulo Autran - Otávio de Alcântara Rodrigues e Silva (Bimbo)
* Lucélia Santos - Carolina
* Tarcísio Meira - Felipe de Alcântara Pereira Barreto
* Glória Menezes - Roberta Leone
* Mário Gomes - Nando (Orlando Cardoso)
* Maitê Proença - Juliana de Alcântara Pereira Barreto
* Maria Zilda - Vânia Trabucco
* Yara Amaral - Nieta
* Ary Fontoura - Dinorá (Dino)
* José Mayer - Ulisses da Silva
* Herson Capri - Fábio Marino
* Edson Celulari - Zenon da Silva
* Cristina Pereira - Frô (Afrodite da Silva)
* Marilu Bueno - Olívia
* Diogo Vilela - Kico
* Ângela Figueiredo - Analu
* Paulo César Grande - Ronaldo
* Ada Chaseliov - Manuela
* Sônia Clara - Verusca
* Hélio Souto - Nenê Gomalina
* Helena Ramos - Lucilene
* Terezinha Sodré - Leda
* Wilson Grey - Ismael
* Leina Krespi - Semíramis da Silva
* Tatiana Issa - Cissa
* Fernando José - Montanha Duncrezio
* Lys Beltrão - Dalete
* Beth Waimberg - Divina
* Kika Borja - Heleninha
* Jayme Periard - funcionário da Charlô's
* Carlos Zara - Vitório Leone

terça-feira, 2 de junho de 2009

Elas cantam Roberto

elas cantam robertoRoberto Carlos pode ser considerado cafona para muitos, mas faz parte da trilha sonora da vida de todos. Até mesmo daquela senhora que falou demais no final de um capítulo de Páginas da Vida. Brincadeiras a parte, o Rei completou 50 anos de carreira e ganhou de presente um show com grande cantoras brasileiras interpretando musicas de sua autoria. O show virou um especial da Rede Globo no dia 31 de maio, e deverá sair em DVD em breve.

Daniela Mercury Wanderleia elas cantam robertoO especial foi bom, pois como já disse, as músicas de Roberto Carlos fazem a trilha sonora de nossa vida, porém poderia ser melhor. A começar, não entendi a ausência de Maria Bethânia. Cantora baiana de sucesso absoluto, admiradora declarada de Roberto, chegou a gravar um CD em 1993 com músicas do mesmo. Ouvi outras pessoas falando também de Gal Costa, Simone ou Marisa Monte, mas não se pode reunir todas as divas em um mesmo palco. Agora, algumas estavam em um mal momento, como Sandy, que cantando As canções que você fez pra mim parecia mais esganiçada, com um tom errado, não sei. A apresentação da moça, que tem uma bela voz, não foi boa. Talvez a música não tenha sido a mais feliz. Já Daniela Mercury e Wanderléia em dueto foi pior que Maria Bethânia e Gal Costa cantando Exotérico no show dos Doces Bárbaros. Uma para cada lado, parecia não terem ensaiado, estranho.

Marília Pêra elas cantam robertoFalando das boas coisas, Marília Pêra interpretou 120... 150... 200... km por Hora de uma maneira surpreendente. Que a atriz canta, não é novidade, já que fez espetáculos musicais como Elas por Ela, único que tive a oportunidade de ver. Agora a música é difícil e ela conseguiu dominar o palco e levantar a platéia. Talvez tenha exagerado no tom do meio para o final, pois ficou tudo muito dramático. Mas, enfim, foi a interpretação dela.

Ivete Sangalo elas cantam robertoAgora, a Rede Globo surpreende para o bem e para mal, sempre. A edição foi infeliz. Amo Ivete Sangalo, podem me xingar os puristas, sou fã mesmo de acompanhar e ir a shows. Prefiro ela cantando músicas intimistas, como suas participações em Um Barzinho, Um Violão, e as duas músicas que cantou de Roberto foram lindas. Mas, colocar a cantora abrindo e fechando o especial, cantando duas músicas, enquanto algumas nem tiveram chance de aparecer, e Daniela e Wanderléia apareceram apenas no dueto, foi muito tendencioso. Tá bom, ela é a estrela do momento, é praticamente contratada da Rede, mas, tinha muita gente boa ali, que ficou de fora do especial.

Em contra-partida, eles deixaram Hebe Camargo. Isso, realmente me surpreendeu, já que a Globo não costuma colocar estrelas de outras emissoras. A apresentadora do SBT esqueceu o protocolo da Rede concorrente e cantou muito bem a música Você não sabe. Poucos sabem, mas Hebe começou a carreira como cantora, tem vários discos gravados. Ela estava escalada para cantar o Hino da televisão na abertura da TV Tupi em 1950, mas acabou não podendo comparecer e foi substituída por Lolita Rodrigues.

Ao final, Roberto Carlos subiu ao palco para cantar Emoções e depois ouvir a declaração de amor de 19 mulheres cantando Como É Grande O Meu Amor Por Você. Agora é esperar pelo DVD com o show na íntegra.

No youtube, a música É preciso saber viver, que ficou fora do especial da Globo e sintetiza a mensagem do momento:


Repertório completo do show:
1- Você Não Sabe - Hebe
2- Canzone per Te - Luiza Possi e Zizi Possi
3- Proposta - Zizi Possi
4- Sua Estupidez - Alcione
5- Desabafo - Fafá de Belém
6- À Distância - Celine Imbert
7- Se Você Pensa - Daniela Mercury
8- Esqueça - Daniela Mercury e Wanderléa
9- Você Vai Ser O Meu Escândalo - Wanderléa
10- Nossa Canção - Rosemary
11- Todos Estão Surdos - Fernanda Abreu
12- As Curvas da Estrada de Santos - Paula Toller
13- 120... 150... 200... km por Hora - Marília Pêra
14- Como Dois e Dois - Marina Lima
15- As Canções que Você Fez pra Mim - Sandy
16- Só Você Não Sabe – Mart´nália
17- Do Fundo do Meu Coração - Adriana Calcanhotto
18- Falando Sério - Claudia Leitte
19- Não se Esqueça de Mim - Nana Caymmi
20- Força Estranha - Ana Carolina
21- Os Botões da Blusa - Ivete Sangalo
22- Olha - Ivete Sangalo
23- Emoções - Roberto Carlos
24- Como É Grande O Meu Amor Por Você - Roberto Carlos e Divas
25- É Preciso Saber Viver - Roberto Carlos e Divas

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Túnel do Tempo - Hilda Furacão

hilda furacão ana paula arosioDia 27 de maio de 1998, estreou na Rede Globo a minissérie Hilda Furacão. Onze anos se passaram e parece que foi ontem que Ana Paula Arósio veio cedida pelo SBT, com quem ainda tinha contrato, para interpretar o mito mineiro. A minissérie escrita por Glória Perez e dirigida por Wolf Maia, é uma adaptação do livro homônimo de Roberto Drummond, que conta a história de uma moça da sociedade mineira que larga tudo para viver na zona boêmia, se tornando a maior prostituta de todos os tempos.

Durante o tempo em que viveu na zona boêmia, Hilda incomodou a cidade, não apenas por ser uma prostituta famosa, mas por se envolver em causas em favor do povo que ali vivia. Além disso, ela se apaixona pelo Frei Malthus, um homem considerado Santo que vai ao Maravilhoso Hotel (onde ela mora) para exorcizá-la e acaba se apaixonando. Tal qual o conto de fadas Cinderela, ela perde um sapato e ele encontra, guardando e sonhando com ela todas as noites.

Há lendas que contam que ela realmente existiu, outros afirmam que a personagem é uma reunião de várias mulheres que Drummond conheceu. O fato é que ele sempre alimentou a idéia de que a história seria real, mas acabou desmentindo-a pouco tempo depois da minissérie ir ao ar. Ao final do livro, o escritor coloca na boca de Hilda a seguinte frase: Diga que eu fui um primeiro de abril que você pregou em seus leitores.

O primeiro de abril, dia da mentira, é o dia em que ela se muda para a zona boêmia e cinco anos depois sai. Exatamente no dia 01 de abril de 1964, quando a ditadura militar está se implantando no país. A confusão gerada faz com que Hilda e Malthus não consigam se encontrar, como haviam combinado. Ele é preso como suspeito, ela vai para Argentina. No livro, os dois nunca mais se encontram. Na minissérie, Glória Perez fez uma cena de reencontro no meio da rua, em uma manifestação contra a ditadura. Pelo menos ali, eles tiveram um final feliz.

Além de Ana Paula Arósio e Rodrigo Santoro nos papéis principais, a minissérie contou com um elenco de peso. Entre eles, Paulo Autran, avesso a televisão, que deu vida ao Padre Nelson, professor de Malthus, que trava uma guerra contra Hilda para salvar seu pupilo. Foi a estreia também do galã Thiago Lacerda como Aramel, o belo. Um ano depois, ele e Ana Paula Arósio estrelavam a novela Terra Nostra.

frei malthus rodrigo santoroHilda Furacão é mais do que uma simples história de amor, e sim a representação de grandes dogmas e crenças da sociedade moderna. A minissérie se passa na década de 50, quando ainda não havia ocorrido a revolução sexual das décadas de 60 e 70. Porém, o mais importante para a análise da construção da história é a época em que ela é transmitida. O ano foi 1998. Vésperas da virada do século, onde as conquistas femininas já haviam ganhado peso e a maioria dos tabus sexuais haviam sido quebrados. O homem e a mulher estão buscando cada vez mais a satisfação sexual em detrimento de valores antigos como família, tradição, casamento. Porém, há coisas ainda sagradas, mesmo para as sociedades pós modernas. A Igreja Católica e o celibato do padre ainda estão entre os valores intocados da sociedade.

A minissérie foi um sucesso, mesmo concorrendo com a Copa do Mundo de Futebol de 1998, sendo sempre relembrada e hoje podendo ser conferida em DVD. Com uma edição horrível, é verdade, já que a Globo insiste em lançar DVDs de minisséries sem respeitar a divisão de capítulos, colocando tudo em um balaio como se fosse um filmão. Mas, ainda assim, dá para matar saudades dessa bela história.



terça-feira, 26 de maio de 2009

Choro de criança

Está cada vez mais em voga a crise do SBT, ou melhor de Sílvio Santos, com a justiça por causa de Maisinha. Crianças prodígios sempre tivemos, exploração infantil pela mídia já não é novidade, criancinha fofinha fazendo os outros rirem é normal. Mas o que tomou proporções gigantescas e foi parar na justiça foi o abuso do dono do SBT.

Maisa chora no SBT
Claro, os pais permitiram, interessados no grosso cachê que a garota ganha. Aqui no Nordeste ela está atualmente como garota propaganda de um supermercado e deve fazer várias outras propagandas por aí. E uma indenização vai bem no posto dos genitores. Por isso, não deixa de nos indignar a forma com a situação é conduzida. Isso me lembrou um caso que aconteceu comigo. Estava fazendo teste com crianças para um comercial e uma garotinha se irritou, não querendo fazer a cena. Tentei conversar com ela e ela disse: "Eu não gosto disso, eu tô perdendo escola, perdendo lição, minha mãe me traz pra cá..." Fiquei impressionada com a capacidade que pais têm de expor seus filhos por um trocado. No caso de Maisa isso é ainda pior, pois toda semana ela está lá, em rede nacional sendo ridicularizada. Até o CQC percebeu que a menina vinha sofrendo maus tratos só para Sílvio aparecer e protestou não a colocando no TOP Five da semana passada.

Brincadeiras a parte, fazer uma menina ser exposta dessa maneira, bater a cabeça e ainda sair do palco com a platéia gritando "medrosa" é alarmante. A justiça não deveria processar apenas Sílvio Santos, mas também os pais da menina que parecem não se importar em protegê-la dos tais danos morais. Se fosse minha filha, na primeira porrada ela já voltava para o Raul Gil que pelo menos a tratava com mais dignidade, isso se ela quisesse continuar aparecendo na televisão. Fica aqui o nosso protesto contra Sílvio Santos, os pais de Maisa, a platéia insensível e os telespectadores que ainda dão Ibope a isso.