
Resolvi, então, fazer uma lista com as minha preferidas. Para justificar melhor minha escolha, tive que ficar apenas com as que vi do começo ao fim. Chego a me sentir injusta em não colocar clássicos como Beto Rockfeller e Selva de Pedra(que só li ou vi cenas de arquivo) ou Irmãos Coragem e Dancin´Days (que vi apenas o compacto reprisado na Globo). Ficaram de fora também, boas novelas como Fera Radical, Top Model e Kubanacan, afinal tinha que escolher apenas 10.
Sei que gosto não se discute, mas procurem ver meus argumentos e façam as suas listas também, verão que não é nada fácil.
10 - Essas Mulheres
Coloquei a novela de Marcílio Moraes por ter sido a primeira grande novela da nova fase da Record, talvez a melhor até hoje. Um belo texto, um bom elenco, cenas memoráveis. Conseguiu tirar muita gente da Globo e deu substância para Rede investir em novelas.
9 - Renascer
Primeira novela de Benedito Ruy Barbosa na Globo, após a revolução feita com Pantanal. A primeira fase de Renascer é uma verdadeira obra de arte, Luis Fernando Carvalho se aprimorou na direção e conseguiu chamar a atenção de forma muito positiva. Como dizia o vilão vivido por José Wilker: "É justo, muito justo, é justíssimo".
8 - Roque Santeiro
Até hoje me lembro do último capítulo de Roque Santeiro, o condomínio onde morava parecia uma cidade deserta, todos estavam de olho grudado na tela, querendo saber quem iria ficar com a Viúva Porcina. Dias Gomes foi censurado em 1975, mas seu texto conseguiu sobreviver e marcar a teledramaturgia brasileira em 1985. Vale lembrar que Aguinaldo Silva levou boa parte da novela. Destaque principalmente para Regina Duarte em seu melhor papel na televisão.
7 - Pantanal
Em 1990, Benedito Ruy Barbosa estreou na Rede Manchete uma novela completamente diferente de tudo que existia. Ambientada no meio do Pantanal Matogrossense a saga dos Leôncio tinha uma linguagem lenta, contemplativa, cheia de casos do dia-a-dia e muito banho de rio. Uma trama tão bem sucedida que dezoito anos depois, o SBT conseguiu voltar ao segundo lugar de audiência, com a reprise da novela.
6 - Vale Tudo
Juntar Gilberto Braga e Aguinaldo Silva com a ajuda de Leonor Bassères só poderia dar em uma das tramas mais marcantes e comentadas de todos os tempos. Vale Tudo consegue ser até hoje lembrada, principalmente por seus vilões. A "banana" dada por Marco Aurélio no final da novela ficou na memória de todos como um retrato da corrupção do país. A pergunta "Quem matou Odete Roitman?" tem eco até hoje no imaginário popular. E a disputa entre mãe e filha de Raquel e Maria de Fátima ainda é tema de muitas conversas. Sem dúvidas, um clássico.
5 - Tieta
Baseado no livro de Jorge Amado, essa novela tem um tom brejeiro que encanta ainda hoje. A novela trouxe um clima mais ameno para história da mulher que é expulsa de sua cidade natal embaixo de cajadadas e volta vinte anos depois para se vingar. Tieta, no entanto, acaba se envolvendo com a cidade, trazendo melhorias para mesma, desistindo da vingança e criando situações hilárias. Sem dúvidas, a obra prima de Aguinaldo Silva na televisão.
4 - Que Rei Sou Eu?
Uma sátira ao Brasil e ao período de transição da ditadura militar para democracia, o texto de Cassiano Cabus Mendes é uma pérola que merece ser lembrada e estudada. Cassiano buscou inspiração em obras como Os três mosqueteiros e O homem da máscara de ferro, ambas de Alexandre Dumas, para escrever a primeira trama de capa e espada na nossa dramaturgia. A história se passava em 1786, as vésperas da Revolução Francesa que acabou com o absolutismo na França e inspirou movimentos libertários em todo o mundo. O país era a fictícia Avilan, onde o Rei Petrus II falecia deixando em testamento a existência de um príncipe bastardo. O rapaz era o rebelde Jean Pierre interpretado por Edson Celulari, mas o Bruxo Ravengar inventa um falso príncipe, pegando o mendigo Pichot (Tato Gabus Mendes) para treinar como seu discípulo e futuro rei. A aventura de capa e espada conquistou a todos e é até hoje a novela mais pedida no Vale A Pena Ver de Novo.
3 - Guerra dos Sexos
Em 1983, Sílvio de Abreu surpreendeu a todos com uma trama pastelão. Com um humor escrachado, contava a história de uma aposta maluca entre dois primos que se odiavam: Charlô e Otávio, vividos por Fernanda Montenegro e Paulo Autran. Sempre lembrada pela já mítica cena de guerra de comida no café-da-manhã entre os dois primos, Guerra dos Sexos era muito mais do que isso. Era pautada na irreverência, no humor inteligente, nas disputas entre homens e mulheres. E claro, no romance, representado pelo casal Nando e Juliana. Com um dos maiores elencos já vistos na televisão, a novela foi sucesso absoluto criando um novo tom para o horário das 19hs na emissora.
2 - Força de Um Desejo

1 - A Viagem
Se tem um autor injustiçado na Rede Globo foi Ivani Ribeiro, com um texto inteligente e clássicos memoráveis, a autora só conseguiu emplacar uma novela inédita na emissora. Sorte minha que pude conhecer através dos remakes feitos por ela própria (A Gata Comeu, Mulheres de Areia, Hipertensão, O Sexo dos Anjos) e, principalmente, esta que é para mim a melhor novela de todos os tempos. A Viagem consegue ser uma trama envolvente, curiosa, diferente de tudo que já foi visto e com uma linda mensagem. O que mais admiro no texto de Ivani Ribeiro é a capacidade que ela tem de emocionar sem ser piegas. Seus casais sempre começam brigando e aos poucos vão se descobrindo apaixonados, não tem tanto vai e vem sem nexo. Enfim, sou fã incondicional dessa mulher que nos deixou logo após terminar este clássico da teledramaturgia.
Sou suspeita, mas quer melhor final de novela que esse?
4 comentários:
É difícil mesmo parar e fazer uma lista! São vários critérios envolvidos para não ficar só no subjetivo.
Amanda, só uma correção, Pantanal fez 18 anos ano passado e não 28. ;)
Claro, já que ele é de 90, errei na matemática, sorry, hehe. Já estou corrigindo.
A melhor novela de todos os tempos é Roque Santeiro.
e quatro por quatro?? Amei essa novela!
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